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quinta-feira, junho 26, 2025

Drones x Cordas

























O céu riscado por mísseis,
dos territórios gelados
aos desertos empoeirados.
De certo — mais lucrativo:
bombas, não cordas.
✍️
Milhões despejados no matar,
migalhas no ato de salvar.
✍️
Mas o mundo prefere o estrondo.
Cada bomba lançada
é um contrato assinado.
Reconstruir rende também.
✍️
Milhares de drones em batalha.
Pra ela, um só desceu — e olhou.
Voltou pra informar que viu
a jovem imóvel sobre a terra.
✍️
Quando se monetizam vidas,
surgem planilhas de cadáveres,
números frios — linhas e colunas, sem rosto.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

Imagem do google: (Juliana Marins)
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quarta-feira, junho 25, 2025

Heróis de Fumaça


















Quando o mundo grita no noticiário,
eu me recolho no silêncio da história.
Lembro que a verdade, mesmo pisoteada,
sempre encontra brechas por onde florescer.
✍️
Já marcharam sobre este mundo inúmeros tiranos —
com fardas ou discursos doces, fingindo ser santos;
de um lado, de outro — ou pregando
a falsa neutralidade do centro.
✍️
Prometeram céus; entregaram ruínas.
Genocidas travestidos de justos,
vendedores de falsa esperança,
heróis de fumaça.
✍️
Mas nenhum deles ficou.
Todos, um a um, tombaram —
porque são altos no discurso,
mas ocos no legado.
O tempo não luta — ele apaga.
E apaga sem fazer alarde.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

terça-feira, junho 24, 2025

🌿 Saudade do Jardim 🌱

Carrego no peito
resquícios de um santuário antigo,
um estalar de folhas sob os pés —
lugar que nunca pisei, mas sinto.

Em meus sonhos,
de lá vem um silêncio que me chama ao longe,
como se o vento soubesse meu nome
antes do começo de tudo.

Então me pego em agonia — não de dor,
mas de um anseio por um recanto de amor,
onde a brisa acalma
e o aroma da paz repousa no chão.

Algo em mim quer retornar a esse lugar
assim que eu me despertar
e souber caminhar
para onde nunca estive,
mas não esqueci o caminho.

Onde o orvalho ainda beija as folhas,
criaturas reconhecem a voz do Criador,
e as feras não ferem.
E eu — feito de barro e falta —
falta-me este lugar encontrar.

Neste espaço e tempo,
descrito por pergaminhos antigos,
escritos entre o início e a promessa,
meu olhar repousa no Novo,
Naquele que pode me guiar para lá.

No fundo sei,
quando mergulho no silêncio,
que não é só sonho.

É saudade gravada no espírito,
vestígio do Sopro,
o infinito sussurrando
no presente,
um reflexo do passado
com sabor de eternidade.

Quando acordo,
a dúvida não é mais roupa que me sirva.
Quero meu regresso
ao mais perfeito Jardim,
e não quero só pra mim.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)