Rostos pequenos, mundos grandes demais
✍️
Ela calça saltos antes de saber amarrar os cadarços.
Na prateleira baixa, dormem batons
onde antes moravam bonecas.
✍️
Posam para fotos
antes de aprender a perder na amarelinha.
Sorriem para a câmera
como quem engole o choro.
✍️
O palco cabe na palma da mão,
a luz fria da tela ilumina
olhos que ainda deveriam
aprender a ler o mundo devagar.
✍️
Ainda há pequenos braços
tentando abraçar o vento,
dedos de crianças querendo tocar as estrelas,
mas a pressa da adultização
acelera os passos,
como um relógio cruel que dá saltos.
✍️
As hashtags cuidam do berço,
os likes embalam o sono,
e os pais se orgulham —
confundem aplausos com afeto.
✍️
A indústria —
essa babá milionária — conta moedas
enquanto ensina a somar seguidores
antes mesmo de saberem contar até cem.
✍️
Brinquedos dormem no armário.
O balanço no quintal range, parado.
✍️
Longe do clamor,
sobram pedaços de infância
vendidos em pacotes patrocinados.
✍️
O preço de crescer cedo demais
não cabe na fatura.
✍️
O mundo aplaude,
o contrato é assinado,
e a infância —
essa figurante sem cachê —
sai de cena em silêncio.
@opoetatardio — Pedro Trajano
O palco cabe na palma da mão,
a luz fria da tela ilumina
olhos que ainda deveriam
aprender a ler o mundo devagar.
✍️
Ainda há pequenos braços
tentando abraçar o vento,
dedos de crianças querendo tocar as estrelas,
mas a pressa da adultização
acelera os passos,
como um relógio cruel que dá saltos.
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As hashtags cuidam do berço,
os likes embalam o sono,
e os pais se orgulham —
confundem aplausos com afeto.
✍️
A indústria —
essa babá milionária — conta moedas
enquanto ensina a somar seguidores
antes mesmo de saberem contar até cem.
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Brinquedos dormem no armário.
O balanço no quintal range, parado.
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Longe do clamor,
sobram pedaços de infância
vendidos em pacotes patrocinados.
✍️
O preço de crescer cedo demais
não cabe na fatura.
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O mundo aplaude,
o contrato é assinado,
e a infância —
essa figurante sem cachê —
sai de cena em silêncio.
@opoetatardio — Pedro Trajano

