No seio das montanhas, a natureza dorme,ela esculpe segredos na face das rochas,
que são como memórias que o tempo tenta apagar.
O vento, curioso, passeia pelas encostas,
como quem busca algo que ainda não existe,
poemas que ainda não foram ditos, nem sentidos.
As árvores, enraizadas em suas vertentes,
não perguntam mais. Elas dançam,
sem pressa de saber se o amanhã trará tempestade ou sol.
E os rios, antigos como o próprio tempo,
deslizam sem pressa, sem destino,
tocando as margens com delicadeza — ou não.
Lá embaixo, no nível das águas,
o mar se ergue, furioso e imenso,
num beijo brusco, beirando a loucura.
As ondas se espalham, espuma que se perde,
tentando encontrar harmonia no caos de suas formas.