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terça-feira, janeiro 06, 2026

Desejo-lhe

Quando a morte chegar, que te encontre vivo — não apenas de respiração, mas de presença

✍️
Que tua algoz não te encontre sentado
na penumbra de um quarto fechado
mas no dourado vivo de uma tarde
onde o vento insiste em balançar os galhos
e o eco da tua gargalhada invada
as ruas, as praças
E que o brilho dos teus olhos lance luz
às calçadas mal iluminadas.

Que ela te surpreenda
com os dedos manchados de tinta
um livro aberto no colo
ou o cursor a piscar na tela
revelando, linha após linha, mais um verso
o olhar preso no azul profundo do céu
onde nuvens passageiras se dissolvem sem adeus
como pensamentos leves que, ao cair
desenham desejos na superfície da memória.

Que teu corpo guarde ainda
a lembrança dos passos apressados
o murmúrio de vozes nas sacadas
o cheiro da chuva recém-caída
que aviva o verde das folhas
como se cada gota fosse fênix renascendo
oferecendo vida ao instante.

Que teus planos ainda sejam tão intensos
quanto foram nos sonhos da infância.
Que a matéria do teu corpo — talvez já cansado —
ainda resguarde, em silêncio, uma mente
que esqueceu de envelhecer.

Que a algoz, a morte, ao te procurar
se confunda com tua própria intensidade
e, por um instante, duvide —
talvez seja ela quem chegou cedo demais.

Pois diante dela estará alguém
que não esperou o fim para querer viver
alguém que soube ser presença inteira
no breve intervalo entre início e fim
que chamamos vida.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajan

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✒ Este e todos os demais conteúdos deste blog são obras de autoria de Pedro Trajano de Araujo.
⚠ A reprodução, total ou parcial, para fins comerciais, é proibida sem autorização expressa do autor.
    
📧 Contato: pedrotrajanoaraujo@gmail.com
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    Muitas vezes encontramos a frase “Quando a morte chegar, que te encontre com vida” circulando pela internet. Com frequência é atribuída a um “provérbio africano”, mas ao buscar sua origem não encontrei nenhuma fonte confiável que confirme isso.
(Se você conhecer, compartilhe nos comentários.)

    Ainda assim, a força dessa sentença me atravessou. A ideia de não esperar o fim para, enfim, escolher viver e ser presença inteira no breve intervalo entre início e fim, me inspirou a escrever o poema Desejo-lhe.

quinta-feira, dezembro 18, 2025

"True Crime"

Não foi a cena do crime que pediu close
Foi quem segurava a câmera

Quem apertou publicar
antes mesmo da perícia chegar

Há um pacto invisível
entre o choque e o entretenimento
alguém posta
outro assiste compartilha
e esquece

Nessa dinâmica cega
o medo vira mercadoria
quando encontra vitrine

O algoz ganha personagem
o sofrimento vira dado
e se a dor for grande o bastante
vira tendência viraliza
transforma-se em trilha sonora
de uma produção true crime

Nessa história
a audiência decide
quem pode falar

Chamam de interesse
mas é consumo
Chamam de divulgação
mas é repetição

Engraçado cômico trágico
quando a violência vira roteiro
com gancho e reviravolta
o protagonista é sempre o algoz
ele ganha rosto
e se apaga o olhar
da vítima

O trailer sangra
A versão cinematográfica
romantizada
ganha adeptos

E a família dos mortos
segue vivendo
sem direito a sinopse

Talvez este seja outro crime
a espetacularização da violência
a tragédia virando produto
a narrativa rendendo temporadas
enquanto o lucro
segue intacto

Mas convém lembrar
nada disso é automático

Há sempre um gesto
mínimo
que decide ficar
avançar
ou sair

O clique
essa pequena ética
ainda é do indivíduo.

Nota do autor
    Neste poema, não trato dos crimes em si , não tenho competência nem pretensão para isso. Interesso-me, antes, pela forma como escolhemos observá-los, narrá-los e consumi-los. Não me detenho na figura do "monstro"; esse trabalho pertence a profissionais preparados para investigar, analisar e julgar. O foco aqui é o enquadramento que transforma violência em personagem, a linguagem que converte sofrimento em produto e dor em entretenimento.
    Estes versos não julga plataformas nem absolve o público. Propõe apenas uma pausa para observar um gesto cotidiano, repetido e quase automático, que costumamos chamar de interesse, curiosidade, informação ou até pena. 

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
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📧 Contato: pedrotrajanoaraujo@gmail.com

terça-feira, novembro 04, 2025

Cicatrizes

Porque até a dor, um dia, encontra sua forma de silêncio.

✍️ 
Deixei-te na praia da memória, naquele canto onde a ausência inventa ondas próprias.
Escrevi teu nome na areia, acreditando, por um instante, que o mar teria algum cuidado,
mas ele passou, distraído como sempre, e apagou o que restava de ti.

Tentei recolher conchas vazias, porque achei que carregar restos ainda fosse carregar algo.
Não sabia que algumas memórias têm gumes escondidos.
Cortei meus dedos numa concha partida — uma adaga silenciosa esquecida entre os grãos.

O tempo… ah, o tempo.
Um farol cego, parado no instante do naufrágio, incapaz de me apontar qualquer direção.
Ele não me iluminou, não me guiou.
Aprendi foi a sangrar sem me afogar,
e deixei que o sal fizesse o trabalho que, às vezes, o amor não faz:
tocar a ferida até que ela, exausta da própria dor, resolvesse cicatrizar
na aspereza do esquecimento.

Agora levo tua voz comigo, não como lembrança apagada,
mas como uma bússola quebrada — daquelas que insistem em apontar
para o único lugar onde você não está.
Ainda assim, eu acredito, e planto sementes no meu deserto,
porque até os cactos aprenderam, em algum momento,
a beber das lágrimas que derramei tentando sobreviver a ti.

A dor também mudou de função.
Virou adubo, fertilizou o campo seco da saudade,
e hoje minhas cicatrizes — essa fronteira entre quem fui
e o que a tua ausência acabou moldando — começam, aos poucos,
a se desfazer na areia, discretas,
como se nunca tivessem existido.

E sigo, meio perdido, mas menos ferido do que antes.

✍️ @opoetatardio – Pedro Trajano

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terça-feira, setembro 02, 2025

A Vida em 4 Operações

Somando instantes, multiplicando sentidos — porque viver é mais sobre sentir do que contar.

✍️ 
A vida tem uma matemática que nos favorece.
Um jeito diferente de usar a calculadora:
não para contar cédulas ou números,
mas para medir, sem pressa nem precisão,
o café quente em manhãs frias,
o sol que atravessa a fresta da janela,
o riso que explode da boca de alguém na rua,
o tropeço na calçada que não nos derruba.
São adições, multiplicações de momentos simples e belos
que fazem do viver uma aquarela.

Não é que não exista subtração,
nem divisão —
como a enfermidade que chega sem avisar,
a morte que leva quem amamos,
o desemprego que bate à porta,
o acidente que não pede licença,
a rispidez na resposta de alguém,
os tantos olhares sem crença.

Mas são tantas outras somas positivas,
frente aos dissabores,
que até uma criança percebe
que a vida ganha de goleada.

Se há um instante em que a morte vence,
como um conta-gotas que chega ao fim,
quantos outros dias se oferecem para somar?
E tantos saldos para multiplicar:
passos no chão da cidade, vento nas árvores,
pássaros disputando os ipês floridos,
a fila do mercado que insiste em ensinar paciência,
a criança que cresce — nossa descendência,
a professora que leciona com eloquência.

São os pequenos gestos diários,
ao longo do percurso,
que definem se vivemos mais
ou morremos mais durante a jornada.

E eu escolho ficar com o que tem mais vida,
ainda que seja em doses mínimas,
todos os dias.
No gesto de ajudar alguém sem perceber,
no nascer tímido de uma fonte límpida
na rachadura do concreto,
na descoberta de dois corações pulsando,
e se abrigando num mesmo corpo,
na chuva fina que alivia o clima seco,
no cheiro da comida subindo da cozinha,
no doce entregue escondido pela vó aos netos —
quase um ato delinquente,
no som dos sapatos batendo no asfalto,
na conversa que se perde
e se reencontra na próxima esquina,
na poesia solta nos posts,
no refrão de uma MPB esquecida no disco de vinil,
na vontade de vencer desse povo do meu Brasil.

Cada dia vivido é moeda guardada no bolso da alma.
Cada riso, cada olhar, cada respiração
é soma que cresce, lucro que ninguém toma,
um infinito resumido em soma.

E quando o ciclo se fechar,
que a gente possa olhar com carinho
no derradeiro segundo existente
e enxergar uma vida que valeu a pena:
porque vivemos mais do que morremos,
carregamos um mundo inteiro de pequenas alegrias,
e valeu a decisão de viver vivendo.
E que a vida, no fundo,
foi
menos dívida
e mais dividendo.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

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terça-feira, agosto 26, 2025

Um Vencedor

Entre perdas e cicatrizes, a vitória de seguir em frente com verdade e coragem.

✍️
Não mais escondo minhas cicatrizes,
deixo que o tempo as mostre por inteiro,
porque o que me feriu, também me moldou.
Sou tronco rachado, que decidiu ficar de pé.
Sou as folhas que voam ao vento,
mas que escolhem o próprio pouso.
Não se engane:
eu sei pra onde estou indo.


Houve flores que não floriram,
pelos caminhos que me trouxeram aqui,
sonhos que o tempo levou antes da hora,
há perfume que se perdeu sem ser sentido.
Mas há ternura naquilo que ficou:
o calor de um sol amigo na pele,
lembranças de um riso cravado na memória,
marcas eternas, impressas na poeira dos passos.


Nem sempre chego inteiro.
As partes que chegam se fazem suficientes.
Não se sobe no pódio
evitando sofrimento.
Sou a soma exata das partes que vivo,
que se arquivam na minha trajetória,
e, por tudo isso, sou um vencedor.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

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terça-feira, julho 29, 2025

O Caminho e o Vento

Às vezes sou vento
que esqueceu o rumo de casa,
vagando perdido no céu do meu sertão.
Carrego a pressa —
diluída num tempo sem pressa de chegar.
✍️
Sou brisa indecisa na espinha da serra,
sem forças pra cruzar o monte,
apenas buscando caminhos
que me levem de volta ao teu coração —
essa chama que arde em silêncio,
e ainda me chama,
esperando que eu reencontre
o caminho de volta
antes que o sol adormeça
e a lua desperte São Jorge.


✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano


terça-feira, julho 01, 2025

O Próximo Segundo é Inédito














Ainda tem vento que não tocou meu rosto,
e café que vai aquecer lembranças que nem vivi.
Moram em mim viagens adormecidas em algum canto do desejo:
conhecer o Cristo de braços abertos,
visitar o frio que desenha silêncios em Campos do Jordão,
as coloridas cerejeiras de Tóquio,
o outono dourado de Nova York,
o sol batendo nas dunas de Jericoacoara,
passear pelas páginas da Bienal de São Paulo,
onde a vida, talvez, mude de assunto sem avisar.
✍️
Ainda tem música que vai dizer seu nome
num refrão distraído,
e meu abraço, calado, esperando por ti
nas noites em que só a brisa me visita.
✍️
Tem jardim que vai florir
sem pedir licença ao último inverno,
e uma risada que vai escapar
como quem divide a vida a dois, sem intervalo.
✍️
Ainda tem coisa boa por vir —
não por sorte,
mas porque costurei esperança no avesso dos dias,
mesmo quando tudo parecia desfiar.
✍️
E quando chegar,
quero estar aqui.
Com as partes que doeram,
mas também com tudo o que esperei.
✍️
Porque viver é isso:
não desistir de acreditar
no que ainda está por vir,
no inédito segundo seguinte.

✍️ @opoetatardio – Pedro Trajano


quinta-feira, junho 26, 2025

Drones x Cordas

























O céu riscado por mísseis,
dos territórios gelados
aos desertos empoeirados.
De certo — mais lucrativo:
bombas, não cordas.
✍️
Milhões despejados no matar,
migalhas no ato de salvar.
✍️
Mas o mundo prefere o estrondo.
Cada bomba lançada
é um contrato assinado.
Reconstruir rende também.
✍️
Milhares de drones em batalha.
Pra ela, um só desceu — e olhou.
Voltou pra informar que viu
a jovem imóvel sobre a terra.
✍️
Quando se monetizam vidas,
surgem planilhas de cadáveres,
números frios — linhas e colunas, sem rosto.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

Imagem do google: (Juliana Marins)
https://i0.wp.com/linkezine.com.br/wp-content/uploads/2025/06/GuNtFcBXUAANjGG.png?fit=360%2C360&ssl=1


terça-feira, maio 27, 2025

Encontros não Planejados

Não foi o sonho que escolhi,
nem a estrada que, por vezes, segui.
Também não foram as pedras que desviei,
mas o tropeço que me acordou.
Entre o improvável e os meus planos,
floresceram caminhos que não estavam descritos —
roteiros não lidos.
✍️
Vieram amizades improváveis,
gestos sem ensaio,
afetos que não pedi,
milagres pelos quais nem ousei orar —
e, no meio do incerto,
descobri motivos para sorrir.
Como? Eu não sei.
✍️
Há paixões tão quentes
e tão breves que não aquecem.
Há amores que nos escapam,
que acabam entre a promessa e a prova.
Ora, culpa nossa...
tantas outras, porque alguém não quis ficar.
✍️
Mas, nos desvios da vida,
no dia a dia com suas surpresas,
onde o que liberta ou prende pode ser a rotina,
encontramos os melhores abraços
numa curva fora do mapa —
e tão repentina
que faz parecer que foi sina.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

Você também pode gostar desse poema: Intraduzível

 

terça-feira, maio 20, 2025

Intraduzível

São tantas poesias na minha mente
e poucas palavras no dicionário.
Às vezes, confundo rimas
com estilo de vida.
✍️
Meus sentimentos quase sempre chegam primeiro,
minha fala, sempre atrasada.
Tem dor que eu já não nomeio,
meu amor pelos versos não se explica.
✍️
O que mora em mim só habita em poetas
e não cabe em frases ditas.
Então, me perdoa pelo silêncio —
ele é muito do que consigo dizer,

quando minha alma apenas grita
e o mundo não sabe me entender.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

terça-feira, abril 29, 2025

Perfeita Poesia


Teu nome está escrito onde o vento dança,
e cada sílaba ressoa ao meu escutar.
És um raio de luz que abre as manhãs,
dando compasso ao meu dia, todos os dias.

Minha filha, você é a palheta que combina
com todas as cores na tela do tempo.
És canção que embala os sonhos dos anjos,
o acorde que acorda a alegria.

Meu amor por ti transborda,
não há cópia de ti, és criação singular.
Nada no mundo tem rima mais pura
do que teu existir, teu jeito de me olhar.

Uma perfeita poesia, que salta aos olhos,
metáfora sem igual, sei que é possível,
quando o mundo lhe parecer estranho demais,
alinha-se em meus braços, sou teu pai visível.


✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

terça-feira, abril 22, 2025

Andarilho que Sou


Nasci em um calendário desatualizado,
carrego o tempo como quem veste um casaco gasto.
Desejei estações que nunca foram minhas,
ouço canções de um tempo que nunca vivi.

Sou um andarilho entre mudanças;
faço ninhos no chão para escapar do acaso.
Trago pedras nos bolsos,
para não ser arrastado pelo vento.
Tenho cicatrizes bordadas a fogo lento.

Às vezes caminho sem rumo, sem bússola,
meus passos tocando ruas que não me reconhecem.
Fui sombra de lamparinas antigas,
já morei sob telhados sem luz elétrica.

Sou uma mistura de analógico com digital,
um código-fonte perdido entre cartas escritas à mão.
Já escrevi bilhetes em lenço de papel;
hoje, digito em teclado virtual.

Já fui cortador de cana,
me perdi entre cafezais.
Trocaram meus lápis por enxadas.
Escrevi minha infância sob o sol;
meus primeiros sonhos, hoje, são devaneios.

Joguei bola descalço,
tomei banho de cachoeira,
ralei os joelhos no cascalho.
Sei o que é beber leite no curral.

Disseram que venci
quando me aplaudiram na colação de grau.
Vislumbrei o feito, até que percebi
que o diploma era um passo, não a chegada.

Hoje, sou matéria em trânsito:
entre o que se forma e se desfaz.
Mas não se engane:
posso ser rocha, água, guerra e paz.

Carrego nas costas poeiras do século vinte.
Companheiro das máquinas, compartilho ideias.
Num "Admirável Mundo Novo", às vezes me perco,
sem saber se sou analógico ou digital.

Por muitas vezes visitei o passado,
mais vezes do que precisava.
Estou escolhendo viver no presente,
e tenho encontrado razões contundentes.

Hoje, meus poemas voam entre nuvens,
se espalham em telas,
às vezes se perdem entre minha mente e o algoritmo.
Mas a poesia — essa...
essa me encontra onde eu estiver.
Temos nos encontrado intimamente na sala de estar.

Neste poema autobiográfico e reflexivo, descrevo minha trajetória como um andarilho do tempo — alguém que caminha entre o passado e o presente, entre o analógico e o digital, entre o século XX e o XXI.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

terça-feira, março 25, 2025

Dois Rios que se Beijam no Mar


 

A gente sempre esteve perto,
mas nunca no mesmo passo.
Como dois rios correndo lado a lado,
sem nunca se tocarem.

Faltaram palavras, restou silêncio.
Fomos como pássaros errantes,
que migraram para estações opostas,
barcos que viram o porto
mas não conseguiram ancorar.

O tempo passou, levou a oportunidade,
deixou só essa sensação estranha,
um abraço que nunca aconteceu,
essa saudade do que poderia ter sido,
esse amor não concluído.

Se ainda houver chance,
que seja o vento, que seja a chuva,
que seja a luz que racha a escuridão,
um destino que se reencontre,
onde os desencontros se acertem,
e os rios, finalmente, se beijem no mar.


Pedro Trajano
opoetatardio

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terça-feira, fevereiro 11, 2025

Viver e Viver



Às vezes a vida se desfaz em mil e um pedaços
E, ainda assim, seguir, sem pressa, é a jornada
Aceitar o que vem, com suas sombras e luzes
É saber que o que se perde nem sempre era para ter
Porque quem vive por viver, esquece o quanto é bom viver.


opoetatardio

 

terça-feira, fevereiro 04, 2025

Todos os Dias de uma Vida

Quando deste plano eu partir,
Não proclame aos quatro ventos
Que foi em tal dia que morri.
Brade, com a força dos pulmões,
Que foi até essa data que vivi.

Que em tuas lágrimas haja saudade,
Mas também transborde alegria,
Pois em cada passo da minha jornada
Houve vida, houve poesia—
E só em um dia eu parti.

Chorei, caí, também adoeci,
Conheci a dor e a falta de amor.
Traí e fui traído, sendo humano, sofri,
Mas escolhi seguir, decidi e vivi.

Não lamente os dias findos,
Nem os caminhos que não trilhei,
Pois, na estrada que percorri,
Cada instante, eu bem vivi.

Conte os contos que contei,
As amizades que não abandonei,
Fale da minha família que amei,
Recite os versos que propaguei.

Se quiser lembrar-me, sorria,
Brinde à vida, do sertão ao mar,
Pois, se um dia fui embora daqui,
Em todos os outros, estive aqui.

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O Voo e a Chuva

 



Pingos de chuva vêm se aproximando
Ainda não me alcançaram
Espero que cheguem a mim
Meus olhos buscam o horizonte.

No alto, um pássaro corta o céu
Sobre sua cabeça, nuvens densas
Ele voa apressado, quase desesperado
Precisa chegar a tempo em algum lugar.

Pego o celular, aponto a câmera
Mas desisto
A cena é tão pura, tão cheia de detalhes
Máquinas artificiais não poderiam eternizar lá
A intensidade do instante
A beleza que só a retina humana pode capturá-la.

Fico só a olhar
Contemplar
A ave, cada vez menor
A chuva chega
Tocando o meu rosto
Sinto-me um rei, sem prepotência
Eu, tão encantado com a natureza
Rendo-me, em reverência.


opoetatardio

terça-feira, janeiro 07, 2025

O Peso da Ausência


Nosso amor parecia ser o certo,
Mas falhou o entendimento de sua essência.
As rosas, para desabrochar, exigem tempo,
E, no silêncio desse tempo, restaram apenas vestígios.
Fragmentaram-se os corações:
No meu, no seu e nos que, em fé, acreditaram,
Que éramos feitos um para o outro.

Faltou-nos proximidade, faltou-nos maturação.
Quem sabe fosse apenas amizade,
Ou, quem sabe, um amor verdadeiro.

Quem ousou afirmar, com segura convicção,
Que o destino nos uniria para sempre,
Jamais previu o peso da distância.

A desconexão, que arrefeceu os corações,
Afundou o belo em abismo profundo,
Transformou o mar da paixão em vasto deserto.

E assim, perdemos o que mais amávamos:
A nós mesmos, no outro.

opoetatardio

segunda-feira, outubro 28, 2024

O Abrir da Porta

É noite e eu estou sozinho no quarto
o vento uiva como um cachorro selvagem
regozijando segredos incontáveis.

E a lua, inquieta
mexe-se entre nuvens
Fecho os olhos, e o mundo se dissolve.

Com um toque sutil da chave a girar
meu coração menino estremece, ansioso
a fechadura rende-se, sem resistência
como a noite se entrega ao amanhecer.

Então abro os olhos
Pra ver você entrar.


O Abrir da Porta: A Expectativa

"O Abrir da Porta" fala sobre a expectativa, aquele instante fugaz em que o tempo parece suspenso, e o mundo aguarda, com olhos fechados, a chegada de alguém importante. Nesse momento, a espera se torna mais do que simples solidão — é uma celebração da possibilidade, um espaço em que o coração pulsa na antecipação de um reencontro.
O poema traz à vida aquele momento em que os olhos se abrem não apenas para ver, mas para receber alguém que atravessa a porta do nosso mundo particular, alguém que foi aguardado e desejado em silêncio. Quem nunca se encontrou assim, entre sonho e realidade, contando cada segundo até que uma presença querida preencha o vazio? É uma espera que nos fortalece e, ao mesmo tempo, nos deixa vulneráveis, pois esperamos pelo que é insubstituível.

Pedro Trajano
opoetatardio 

quinta-feira, setembro 12, 2024

O Caminho de Volta

No caminho de volta, meu coração chora
Sob as luzes artificiais, a cidade não dorme
Bares abarrotados, risos que soam vazios
Na rua, carros apressados, poluição sonora
O ar poluído, denso de fumaça e carbono
Pessoas passam, e eu me sinto no abandono
A paisagem se desfaz, tudo muda, exceto a saudade
Chego em casa, sozinho, o silêncio é uma maldade
Só teu amor traria paz, uma inevitável verdade.

Pedro Trajano
opoetatardio

quarta-feira, agosto 14, 2024

O Conforto no Amor


Em teu abraço, tudo se acalma
O frio se desfaz no calor do teu carinho
Ao teu lado, a vulnerabilidade vai embora
Teu amor transforma o medo em serenidade
E encontro paz na ternura do teu afeto
Em teu coração, moro — não sou mais um sem teto.


Pedro Trajano
opoetatardio
Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)