Quando a ausência permanece — e a saudade floresce em silêncio.
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Se voltasses agora,
talvez não me reconhecesses.
nem meu olhar,
nem a quietude no lugar das palavras.
o chão que pisavas
já não cede — não faz poeira.
a chuva voltou com a primavera
e eu voltei
a ver a beleza das cores.
o barulho que deixaste em mim
virou ruído, quase silêncio —
acomodou-se onde antes havia agitação.
acho que não espero mais,
mas, às vezes,
um travesseiro a mais na cama,
a xícara extra no café,
me traem.
certas ausências
não se distanciam,
não cortam o cordão umbilical —
apenas se disfarçam
de rotina.
se voltasses,
verias em mim
um jardim que floresceu
aguardando alguém para colher.
talvez à tua espera.
não sei.
✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
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