– Pai, dá-me o que é meu, sem demora!
Com ânsia, a herança em mãos agarrei
Parti sem hesitar, na mesma hora.
O mundo me acolheu com brilho e loucura
Na falsa alegria de banquetes vazios
O ouro alheio escorreu entre os dedos
E fiquei só… Eu me afastei, sem caminhos.
Perdi a dignidade, o vazio se alastrou
Da riqueza à fome, o remorso me julgou
Ao cuidar dos porcos, vi-me no espelho:
Um filho indigno, perdido, infiel.
Na casa do pai, os servos têm pão
E eu, errante, caído, sem direção
Com os olhos turvos e o peito apertado
Como pedir perdão, afundado em pecado?
Retornei… Ele me viu e correu ao encontro
Nos braços abertos, o indulto no olhar
– Meu filho errante regressou!
E a festa na casa começou a animar.
Um anel em meu dedo, um manto nos ombros
O novilho ao fogo, a mesa repleta
Era o abraço do amor sem medida
Graça do pai, infinita, completa.
Então meu irmão, ferido, indagou:
– Por que exaltar quem fez o que fez?
O pai respondeu com ternura e justiça:
– Há júbilo imenso: seu irmão retornou.
Nem sempre se entende o perdão do pai
Por falta de humildade ou de necessidade
Mas logo deixamos a lógica fria
Quando somos nós o filho que cai.
E eu, errante, caído, sem direção
Com os olhos turvos e o peito apertado
Como pedir perdão, afundado em pecado?
Retornei… Ele me viu e correu ao encontro
Nos braços abertos, o indulto no olhar
– Meu filho errante regressou!
E a festa na casa começou a animar.
Um anel em meu dedo, um manto nos ombros
O novilho ao fogo, a mesa repleta
Era o abraço do amor sem medida
Graça do pai, infinita, completa.
Então meu irmão, ferido, indagou:
– Por que exaltar quem fez o que fez?
O pai respondeu com ternura e justiça:
– Há júbilo imenso: seu irmão retornou.
Nem sempre se entende o perdão do pai
Por falta de humildade ou de necessidade
Mas logo deixamos a lógica fria
Quando somos nós o filho que cai.
opoetatardio
