Encontre aqui:

terça-feira, abril 15, 2025

Espero-te


Se tuas mãos tocam as rosas,
brotam os segredos da seiva.
Se teu olhar se perde no céu,
as nuvens dançam de Penápolis a Pequim.

No teu abraço, adormeço como criança,
e o tambor do teu coração embala meu sono.
O tempo faz-se leve brisa, suave neblina,
quando teu riso descansa em mim.

Espero-te
como a manhã espera a luz,
como as marés aguardam a lua,
como o sertão anseia pela chuva,
como as abelhas querem a primavera,
como a eternidade espera a noite chegar.
Espero-te...

@opoetatardio
Pedro Trajano

segunda-feira, abril 14, 2025

Amigo que é amigo visita


A caneca empoeirada na estante
ainda espera o café da conversa.
O sofá — meio torto — guarda o lugar
onde a amizade se sentava, sem pressa.

Idas e vindas,
horas viram dias.
Olhe para trás:
e a visita, aonde fica?

Corre-corre de uma geração
plugada, ligada.
Stories, emojis e um “bom dia”
na palma da mão —
Visitá-lo? Não dá. Hoje, não.


Entre culpa e desculpas,
pilhas de agendas sobre a mesa;
entre avançar ou adiar,
aonde fica o visitar?

Minutos viram horas, horas viram dias,
dias viram anos... anos de uma vida,
até que o tempo, finito, determina,
sem aviso:
não há mais tempo para visitas.


Pedro Trajano
@opoetatardio

Este poema é uma adaptação de um poema com o mesmo nome que escrevi em agosto de 2020.
Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)