Entre o fim e o começo, um intervalo chamado travessia, ali, o novo ano ganha consciência.
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O que se finda não são os dias
mas o calendário que escapa entre os dedos
O que começa não é tempo novo
mas a chance do que ainda não se fez.
Deixamos o ano que nos abrigou
como quem solta o eco de um “eu te amo” não dito
meses e estações
como velas acesas em silêncio no altar.
Esperamos a morada sem forma
uma vibração que busca o ar
entre o primeiro de janeiro e a São Silvestre
uma incerteza que nos move.
Certo é o que ficou:
a lição, o passo, a pequena vitória
ou os reversos dos versos da vida.
A areia imóvel da praia não visitada
o mapa amassado no bolso
Move-se a onda que me chama pelo nome
um horizonte engolido além dos olhos.
