Palavras que tardaram a chegar, mas que agora fluem como um rio de possibilidades. Versos que nascem do silêncio contemplativo, contos que emergem das sombras da memória e reflexões que iluminam o cotidiano com nova perspectiva. Um refúgio literário onde compartilho as inquietações e descobertas de um poeta que encontrou nas palavras, mesmo que tardiamente, sua verdadeira forma de existir e dialogar com o mundo.
Encontre aqui:
sexta-feira, julho 11, 2025
terça-feira, julho 08, 2025
Entre as Horas, Silêncio
Entre o som do despertador e o café no fogo,
nasce um mundo fora do Plantão News.
Um broto rompe a terra.
Um bebê ensaia seu passo inaugural.
✍️
No céu, uma nuvem se desenha —
e logo se apaga, como quem esquece de onde veio.
✍️
Corremos, apressados, com pressa de não chegar.
A vida, finita, pincela sua aquarela no romper dos dias.
✍️
Dormimos com lembranças do brilho azul nos olhos,
e acordamos cansados de nós.
✍️
O tempo não tem culpa:
é só um rio seguindo sua sina.
Somos nós que represamos o instante
e, depois, gritamos enchente.
✍️
Hoje, deixei os ponteiros de castigo.
A varanda me chamou devagar.
O sol caiu feito lágrima no horizonte —
e juro que ouvi o barulho das cores.
✍️
As estrelas, tardias como o poeta que sou,
não tiveram pressa de se acender no firmamento.
Só brilharam quando o escuro aceitou ficar.
✍️
Chegar inteiro é mais que vencer.
É saber que até o silêncio
tem verso escondido
nas entrelinhas do tempo.
✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
segunda-feira, julho 07, 2025
sexta-feira, julho 04, 2025
Mais Um Aviso
O amanhã é um talvez, talvez.
No relógio da vida,
não tem horário de verão.
Tire as dúvidas, coma seus medos,
dance mesmo sem par.
O manhã é um talvez, talvez.
✍️ @opoetatardio – Pedro Trajano
quinta-feira, julho 03, 2025
terça-feira, julho 01, 2025
O Próximo Segundo é Inédito
Ainda tem vento que não tocou meu rosto,
e café que vai aquecer lembranças que nem vivi.
Moram em mim viagens adormecidas em algum canto do desejo:
conhecer o Cristo de braços abertos,
visitar o frio que desenha silêncios em Campos do Jordão,
as coloridas cerejeiras de Tóquio,
o outono dourado de Nova York,
o sol batendo nas dunas de Jericoacoara,
passear pelas páginas da Bienal de São Paulo,
onde a vida, talvez, mude de assunto sem avisar.
✍️
Ainda tem música que vai dizer seu nome
num refrão distraído,
e meu abraço, calado, esperando por ti
nas noites em que só a brisa me visita.
✍️
Tem jardim que vai florir
sem pedir licença ao último inverno,
e uma risada que vai escapar
como quem divide a vida a dois, sem intervalo.
✍️
Ainda tem coisa boa por vir —
não por sorte,
mas porque costurei esperança no avesso dos dias,
mesmo quando tudo parecia desfiar.
✍️
E quando chegar,
quero estar aqui.
Com as partes que doeram,
mas também com tudo o que esperei.
✍️
Porque viver é isso:
não desistir de acreditar
no que ainda está por vir,
no inédito segundo seguinte.
✍️ @opoetatardio – Pedro Trajano
Marcadores:
Cotidiano,
Pensamentos,
Reflexão,
Sentimento
quinta-feira, junho 26, 2025
Drones x Cordas
![]() |
O céu riscado por mísseis,
dos territórios gelados
aos desertos empoeirados.
De certo — mais lucrativo:
bombas, não cordas.
✍️
Milhões despejados no matar,
migalhas no ato de salvar.
✍️
Mas o mundo prefere o estrondo.
Cada bomba lançada
é um contrato assinado.
Reconstruir rende também.
✍️
Milhares de drones em batalha.
Pra ela, um só desceu — e olhou.
Voltou pra informar que viu
a jovem imóvel sobre a terra.
✍️
Quando se monetizam vidas,
surgem planilhas de cadáveres,
números frios — linhas e colunas, sem rosto.
✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
Imagem do google: (Juliana Marins)
https://i0.wp.com/linkezine.com.br/wp-content/uploads/2025/06/GuNtFcBXUAANjGG.png?fit=360%2C360&ssl=1
Marcadores:
Inspirado em fatos reais,
Sentimento
quarta-feira, junho 25, 2025
Heróis de Fumaça
Quando o mundo grita no noticiário,
eu me recolho no silêncio da história.
Lembro que a verdade, mesmo pisoteada,
sempre encontra brechas por onde florescer.
✍️
Já marcharam sobre este mundo inúmeros tiranos —
com fardas ou discursos doces, fingindo ser santos;
de um lado, de outro — ou pregando
a falsa neutralidade do centro.
✍️
Prometeram céus; entregaram ruínas.
Genocidas travestidos de justos,
vendedores de falsa esperança,
heróis de fumaça.
✍️
Mas nenhum deles ficou.
Todos, um a um, tombaram —
porque são altos no discurso,
mas ocos no legado.
O tempo não luta — ele apaga.
E apaga sem fazer alarde.
✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
Assinar:
Comentários (Atom)







