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terça-feira, março 18, 2025

Quem Viu a Rosa?

Ao meu redor, a alvorada se desponta como uma sinfonia de cores e movimentos. O sol nascente acaricia-me com dedos de luz, enquanto a brisa matinal dança entre as folhas, sussurrando poemas em línguas ancestrais. O murmúrio da natureza envolve tudo em um abraço acolhedor: pássaros trocam melodias nos galhos próximos, borboletas flutuam como fragmentos de sonho, e um beija-flor me visita, vibrando no ar como um sopro de vida. Minhas pétalas ainda guardam as gotas do sereno da madrugada, testemunhas silenciosas de um renascimento diário.
Por um breve momento, sou apenas eu e o mundo. O silêncio não é ausência, mas presença. Sinto-o como uma carícia do universo, algo que se estende até o âmago do meu ser. O toque do vento não só roça minha superfície, mas penetra minha essência. Sou parte deste todo, e o todo é parte de mim. Cada partícula de ar que desliza por minhas folhas sussurra segredos indecifráveis, e, ainda assim, plenos de significado. Aqui, no delicado equilíbrio entre a existência e a finitude, sei que existo.
Uma joaninha atrevida escala meu caule e repousa sob uma de minhas pétalas. Seu toque, ínfimo e preciso, confirma-me: sou real.
Mas então, o mundo dos homens invade o meu.

terça-feira, março 11, 2025

Vitória?

Não houve Vitória,
apenas a perda.
Perda dos passos,
do ar, da própria vida,
perda de Vitória Regina.

Chorou a mãe,
comoveu-se um país.
Não houve Vitória,
somente as sirenes ecoam.

O sorriso aberto, agora mudo,
os sonhos ceifados,
o caminho de volta
tragado pela noite.

Desembarcou no ponto,
o ponto final.
A escuridão engoliu
a promessa do amanhã.

Não houve Vitória,
apenas a saudade.
Não houve Vitória,
apenas um corpo imóvel.
Faltou Vitória,
sobrou a maldade.

Vitória não veio,
mas chegou a polícia,
a imprensa,
os suspeitos.

Não há Vitória,
os que a amaram querem justiça,
querem ver os culpados presos.
Um consolo pequeno,
mas o que resta
diante da Vitória que perderam?

opoetatardio

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Natureza em Prece

REZA

NATUREZA
PELO QUE RESTA

DA
FLORESTA
AINDA RESTA

REZA
FLORESTA

A NATUREZA
AGRADECE
PELA PRECE

SE APRESSEM,
PORQUE POUCO RESTA
DA NATUREZA QUE PROTESTA.


opoetatardio

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sábado, março 08, 2025

Mulher



Tu és a força que move a engrenagem,
a chama que arde sem se consumir.
Ergueste-te em coragem, domaste ventos,
regaste o solo, abri-te caminhos.

És raiz e folhagem,
flor e aço,
abraço que sustenta e acolhe,
mãos que constroem e transformam.

Geraste vidas em teu ventre,
mas também as ensinaste a voar.
Não és sombra nem coadjuvante:
és o futuro, o presente, a história em movimento.

Não há muralhas que te detenham,
nem obstáculos que te sufoquem,
nem desafios que te vençam.
Não cabes em um único dia:
mereces ser admirada a cada aurora,
pois o mundo gira na força da tua ousadia.


opoetatardio
08 março2025

terça-feira, março 04, 2025

A Arte é Real



A arte não copia, recria com sutileza,
Forja um universo de rara beleza.

Na rocha, a mão talha, a forma desponta,
Na tela, o pincel desliza, a imagem se monta.

O som toma corpo, a melodia vibra,
Na dança, o movimento se entrega e equilibra.

O cinema projeta mundos no pensamento,
A arquitetura esculpe o tempo em fragmentos.

No palco, a palavra se faz gesto, infinitas formas,
A arte não imita o mundo, ela o transforma.

opoetatardio

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"O objetivo da arte não é reproduzir a realidade, mas criar uma realidade da mesma intensidade." Foi com essa frase que minha esposa, Claudia Perin Trajano de Araujo, escreveu e me mostrou que surgiu a inspiração para este poema. Desde que li essas palavras, elas ficaram ecoando na minha mente e se tornaram o alicerce para a construção deste poema: A Arte é Real. A frase de minha esposa me fez refletir profundamente sobre o verdadeiro papel da arte, e ousei tentar descrevê-lo nestes versos. Espero que aprecie.

terça-feira, fevereiro 25, 2025

Filho Pródigo (Queda, Redenção e Perdão)

Meu olhar de cobiça, alma em tormento
– Pai, dá-me o que é meu, sem demora!
Com ânsia, a herança em mãos agarrei
Parti sem hesitar, na mesma hora.

O mundo me acolheu com brilho e loucura
Na falsa alegria de banquetes vazios
O ouro alheio escorreu entre os dedos
E fiquei só… Eu me afastei, sem caminhos.

Perdi a dignidade, o vazio se alastrou
Da riqueza à fome, o remorso me julgou
Ao cuidar dos porcos, vi-me no espelho:
Um filho indigno, perdido, infiel.


Na casa do pai, os servos têm pão
E eu, errante, caído, sem direção
Com os olhos turvos e o peito apertado
Como pedir perdão, afundado em pecado?

Retornei… Ele me viu e correu ao encontro
Nos braços abertos, o indulto no olhar
– Meu filho errante regressou!
E a festa na casa começou a animar.

Um anel em meu dedo, um manto nos ombros
O novilho ao fogo, a mesa repleta
Era o abraço do amor sem medida
Graça do pai, infinita, completa.

Então meu irmão, ferido, indagou:
– Por que exaltar quem fez o que fez?
O pai respondeu com ternura e justiça:
– Há júbilo imenso: seu irmão retornou.

Nem sempre se entende o perdão do pai
Por falta de humildade ou de necessidade
Mas logo deixamos a lógica fria
Quando somos nós o filho que cai.

opoetatardio


sábado, fevereiro 22, 2025

Sou Minha Jornada


Eu floresço nas minhas tantas versões,
sou solo, semente, espinho, flor.
Reinvento-me a cada estação,
sem medo do sol, sem fuga da dor.
Abraço quem sou — nem sempre foi assim,
permito-me ser no meu próprio jardim.

A vida me pede honra, coragem e amor,
um colo que aquece, e um riso que alegra.
Sou passos e caminho, o mapa e as terras,
encontro-me na paz que nasce das minhas guerras.
Sem armas, munido de coragem e esperança,
me abraço, inteiro me faço e, assim, me desfaço.


opoetatardio

terça-feira, fevereiro 18, 2025

As Quatro Estações em Mim

    Fui primavera quando cheguei ao mundo — a natureza explodia em cores e aromas, um jardim de descobertas a cada novo olhar. Mesmo nos dias de pranto, o coração pulsava com a promessa de um recomeço. O ar estava impregnado com o perfume de infinitas possibilidades, e a vida se abria para mim como uma rosa que desabrocha aos primeiros raios de sol ao amanhecer, despertando-me para um novo dia. Eu era uma criança, pequena diante de um mundo vasto e desafiador, mas a curiosidade me guiava como uma bússola certeira. Cresci como um ipê jovem e vigoroso, com os galhos estendidos ao vento, desafiando tempestades e lançando-se em direção aos sonhos.
    Então veio o verão.
Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)