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sexta-feira, julho 04, 2025

Mais Um Aviso

O amanhã é um talvez, talvez.
No relógio da vida,
não tem horário de verão.
Tire as dúvidas, coma seus medos,
dance mesmo sem par.
O manhã é um talvez, talvez.

✍️ @opoetatardio – Pedro Trajano

terça-feira, julho 01, 2025

O Próximo Segundo é Inédito














Ainda tem vento que não tocou meu rosto,
e café que vai aquecer lembranças que nem vivi.
Moram em mim viagens adormecidas em algum canto do desejo:
conhecer o Cristo de braços abertos,
visitar o frio que desenha silêncios em Campos do Jordão,
as coloridas cerejeiras de Tóquio,
o outono dourado de Nova York,
o sol batendo nas dunas de Jericoacoara,
passear pelas páginas da Bienal de São Paulo,
onde a vida, talvez, mude de assunto sem avisar.
✍️
Ainda tem música que vai dizer seu nome
num refrão distraído,
e meu abraço, calado, esperando por ti
nas noites em que só a brisa me visita.
✍️
Tem jardim que vai florir
sem pedir licença ao último inverno,
e uma risada que vai escapar
como quem divide a vida a dois, sem intervalo.
✍️
Ainda tem coisa boa por vir —
não por sorte,
mas porque costurei esperança no avesso dos dias,
mesmo quando tudo parecia desfiar.
✍️
E quando chegar,
quero estar aqui.
Com as partes que doeram,
mas também com tudo o que esperei.
✍️
Porque viver é isso:
não desistir de acreditar
no que ainda está por vir,
no inédito segundo seguinte.

✍️ @opoetatardio – Pedro Trajano


quinta-feira, junho 26, 2025

Drones x Cordas

























O céu riscado por mísseis,
dos territórios gelados
aos desertos empoeirados.
De certo — mais lucrativo:
bombas, não cordas.
✍️
Milhões despejados no matar,
migalhas no ato de salvar.
✍️
Mas o mundo prefere o estrondo.
Cada bomba lançada
é um contrato assinado.
Reconstruir rende também.
✍️
Milhares de drones em batalha.
Pra ela, um só desceu — e olhou.
Voltou pra informar que viu
a jovem imóvel sobre a terra.
✍️
Quando se monetizam vidas,
surgem planilhas de cadáveres,
números frios — linhas e colunas, sem rosto.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

Imagem do google: (Juliana Marins)
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quarta-feira, junho 25, 2025

Heróis de Fumaça


















Quando o mundo grita no noticiário,
eu me recolho no silêncio da história.
Lembro que a verdade, mesmo pisoteada,
sempre encontra brechas por onde florescer.
✍️
Já marcharam sobre este mundo inúmeros tiranos —
com fardas ou discursos doces, fingindo ser santos;
de um lado, de outro — ou pregando
a falsa neutralidade do centro.
✍️
Prometeram céus; entregaram ruínas.
Genocidas travestidos de justos,
vendedores de falsa esperança,
heróis de fumaça.
✍️
Mas nenhum deles ficou.
Todos, um a um, tombaram —
porque são altos no discurso,
mas ocos no legado.
O tempo não luta — ele apaga.
E apaga sem fazer alarde.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

terça-feira, junho 24, 2025

🌿 Saudade do Jardim 🌱

Carrego no peito
resquícios de um santuário antigo,
um estalar de folhas sob os pés —
lugar que nunca pisei, mas sinto.

Em meus sonhos,
de lá vem um silêncio que me chama ao longe,
como se o vento soubesse meu nome
antes do começo de tudo.

Então me pego em agonia — não de dor,
mas de um anseio por um recanto de amor,
onde a brisa acalma
e o aroma da paz repousa no chão.

Algo em mim quer retornar a esse lugar
assim que eu me despertar
e souber caminhar
para onde nunca estive,
mas não esqueci o caminho.

Onde o orvalho ainda beija as folhas,
criaturas reconhecem a voz do Criador,
e as feras não ferem.
E eu — feito de barro e falta —
falta-me este lugar encontrar.

Neste espaço e tempo,
descrito por pergaminhos antigos,
escritos entre o início e a promessa,
meu olhar repousa no Novo,
Naquele que pode me guiar para lá.

No fundo sei,
quando mergulho no silêncio,
que não é só sonho.

É saudade gravada no espírito,
vestígio do Sopro,
o infinito sussurrando
no presente,
um reflexo do passado
com sabor de eternidade.

Quando acordo,
a dúvida não é mais roupa que me sirva.
Quero meu regresso
ao mais perfeito Jardim,
e não quero só pra mim.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

terça-feira, junho 17, 2025

O Valor de Sentir
















Foi quando parei de fugir
— e não faz tanto tempo —
e encarei o medo de frente —
sem atalhos, sem escudos —
que entendi: sentir é coragem,
e chorar não diminui.
Integra. Humaniza.
✍️
Aceitar o vazio
é como abrir janelas antigas:
deixar o vento entrar
e varrer o pó das ausências.
✍️
A dor pode não ser a inimiga.
Talvez seja estrada,
é amadurecer em movimento,
é travessia com o peito aberto.
✍️
Só quem sente, vive.
E só quem vive, transforma.
✍️
Na coragem de não filtrar a alma,
começa, enfim,
o verdadeiro despertar.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

terça-feira, junho 10, 2025

Vale a Pena, Sim

















Hoje, enquanto o sol pousava devagar sobre a horta,
agradeci por estar ali, inteiro,
apesar de alguns remédios e remendos.
Os amigos que ficaram — poucos, mas fiéis —
me sustentam quando o chão some dos pés.
Eles me veem além do mau humor e dos sorrisos,
e ficam, mesmo quando nem eu me entendo.
✍️
Lembrei da minha filha:
um pedaço meu que caminha solto,
ensinando-me a ver o mundo com outros olhos.
Cada gesto e sorriso dela,
é um poema novo que Deus me escreve.
✍️
A mesa da família tem sempre uma cadeira vazia,
sempre aguardando você chegar.
Ali, entre o café quente e a prosa partilhada,
há lugar para pelo menos mais um...
✍️
Ao meu lado, o amor que escolhi
todos os dias, para todos os dias,
mesmo nas manhãs nubladas do nosso casamento.
Não somos perfeitos, mas somos promessas
que resistem aos modernos "amores líquidos".
✍️
A vida, ah… sempre surpreende.
Tem espinhos, sim.
Mas cada rosa colhida fere a mão com leveza.
E cada espinho tirado renova a vontade
de viver cada instante com a alma estendida.
Sou feliz por cada passo que me trouxe até aqui.
✍️
Se amanhã eu calar,
que saibam:
valeu a pena, sim —
porque amei, fui amado,
e tentei ser alguma luz, mesmo nos meus dias escuros.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)