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terça-feira, setembro 16, 2025

Volto Já

Um instante de pausa para reencontrar a mim mesmo

✍️
Me ausentarei um pouco —
mas regressarei mais leve,
desatando o nó do cansaço
com os dedos da paz,
em torno de mim farei um laço.

Cuidarei do que em mim
grita calado:
um pouco de vida sem manual,
um sopro de rebeldia
contra o relógio acelerado.

Catarei silêncios nas bordas do eu,
observarei maritacas tagarelas nas copas em festa,
ouvirei o bem-te-vi que canta e retorna,
vereis pássaros migrando no instante comum,
e sentirei o riso manso das árvores.

Encantarei-me com o sorriso de criança,
beberei água de torneira,
ei de molhar os cabelos na torrente da cachoeira,
cruzarei o céu apenas com um olhar,
sobrevoarei neve, sertão e mar.

Deixarei de ser, por um instante,
um número solto no sistema.
Andarei como andarilho de nuvens,
borrifarei no asfalto quente
o perfume da infância guardada.
Soletrarei com o vento sussurrando versos
de Cora, Vinicius, Cecília e Adélia,
e lembrarei dos poetas
da minha Penápolis.

Conversarei com o tempo no banco da praça —
como sempre, ele me pedirá um gole do verão
e ainda me dará alguns conselhos.
Sempre confio naquele ancião do saber,
entregando-lhe a água parada,
encontrando um sentido renovado.

Na brevidade de um fechar de olhos —
minutos que valerão por um dia —
ensaiarei respirar fundo,
encostando-me no tronco da figueira.
Na dança do ponteiro graúdo,
sentir-me-ei maior
que qualquer antônimo de miúdo.

Desviarei um tiquinho das urgências
e talvez — quem sabe — sonharei...
ao abrir meus olhos.

Voltarei, como um soldado deseja voltar —
não das guerras do mundo,
mas das batalhas invisíveis do interno.
E trarei comigo:
não armas de canhão,
mas flores nos bolsos,
uma lucidez no olhar
e vontade de me abraçar.

Então, cidadão —
ainda que seja só por agora,
não pautarei minha vida
pela sua urgência.
Um pouco de mim, só pra mim.

Fique tranquilo, não é abandono,
é cuidado próprio.
Volto já.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

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✒ Este e todos os demais conteúdos deste blog são obras de autoria de Pedro Trajano de Araujo.

⚠ A reprodução, total ou parcial, para fins comerciais, é proibida sem autorização expressa do autor.

📧 Contato: pedrotrajanoaraujo@gmail.com

segunda-feira, setembro 15, 2025

Minhas Frases




✍️
No ar, um pedido quase utópico: um amor que dê ordem ao caos e dissolva a sombra do absurdo.











✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
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sexta-feira, setembro 12, 2025

Gotinhas de Poesia # 11 - Nem sempre

 


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sexta-feira, setembro 05, 2025

Relicário

Em teus olhos, o azul de um mar sem igual,
teus cabelos loiros — o sol quer beijá-los no fim das tardes.

Quantas primaveras bordaram teu sorriso?
Quantos cinco de setembros semearam teu caminho?
Menina lapidada em mulher, veste quatro décadas
de uma vida que floresce em poesia
com a graça de quem colhe flores do tempo.
Pois aprendeu, sendo professora,
que os que abraçam as estações da vida
não temem os ventos que trazem mudanças.

És rio que já se admira da margem,
serena em sua força, constante em sua jornada.
Flor que escolhe o instante exato para se abrir,
transformando obstáculos em catapultas,
pedras em estradas.

E eu, ao teu lado, me perco e me encontro:
sou o silêncio que te escuta,
e no teu abraço encontro meu porto.
Respiro teu riso, olho para onde olhas,
pois em ti, Cláudia, meu amor,
meu relicário —
habita o sagrado que escolhi do mundo.
Feliz aniversário.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

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Gotinhas de Poesia # 10 - Carrego a Pressa

 















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terça-feira, setembro 02, 2025

A Vida em 4 Operações

Somando instantes, multiplicando sentidos — porque viver é mais sobre sentir do que contar.

✍️ 
A vida tem uma matemática que nos favorece.
Um jeito diferente de usar a calculadora:
não para contar cédulas ou números,
mas para medir, sem pressa nem precisão,
o café quente em manhãs frias,
o sol que atravessa a fresta da janela,
o riso que explode da boca de alguém na rua,
o tropeço na calçada que não nos derruba.
São adições, multiplicações de momentos simples e belos
que fazem do viver uma aquarela.

Não é que não exista subtração,
nem divisão —
como a enfermidade que chega sem avisar,
a morte que leva quem amamos,
o desemprego que bate à porta,
o acidente que não pede licença,
a rispidez na resposta de alguém,
os tantos olhares sem crença.

Mas são tantas outras somas positivas,
frente aos dissabores,
que até uma criança percebe
que a vida ganha de goleada.

Se há um instante em que a morte vence,
como um conta-gotas que chega ao fim,
quantos outros dias se oferecem para somar?
E tantos saldos para multiplicar:
passos no chão da cidade, vento nas árvores,
pássaros disputando os ipês floridos,
a fila do mercado que insiste em ensinar paciência,
a criança que cresce — nossa descendência,
a professora que leciona com eloquência.

São os pequenos gestos diários,
ao longo do percurso,
que definem se vivemos mais
ou morremos mais durante a jornada.

E eu escolho ficar com o que tem mais vida,
ainda que seja em doses mínimas,
todos os dias.
No gesto de ajudar alguém sem perceber,
no nascer tímido de uma fonte límpida
na rachadura do concreto,
na descoberta de dois corações pulsando,
e se abrigando num mesmo corpo,
na chuva fina que alivia o clima seco,
no cheiro da comida subindo da cozinha,
no doce entregue escondido pela vó aos netos —
quase um ato delinquente,
no som dos sapatos batendo no asfalto,
na conversa que se perde
e se reencontra na próxima esquina,
na poesia solta nos posts,
no refrão de uma MPB esquecida no disco de vinil,
na vontade de vencer desse povo do meu Brasil.

Cada dia vivido é moeda guardada no bolso da alma.
Cada riso, cada olhar, cada respiração
é soma que cresce, lucro que ninguém toma,
um infinito resumido em soma.

E quando o ciclo se fechar,
que a gente possa olhar com carinho
no derradeiro segundo existente
e enxergar uma vida que valeu a pena:
porque vivemos mais do que morremos,
carregamos um mundo inteiro de pequenas alegrias,
e valeu a decisão de viver vivendo.
E que a vida, no fundo,
foi
menos dívida
e mais dividendo.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

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sexta-feira, agosto 29, 2025

Gotinhas de Poesia # 9 - Babá Milionária















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terça-feira, agosto 26, 2025

Um Vencedor

Entre perdas e cicatrizes, a vitória de seguir em frente com verdade e coragem.

✍️
Não mais escondo minhas cicatrizes,
deixo que o tempo as mostre por inteiro,
porque o que me feriu, também me moldou.
Sou tronco rachado, que decidiu ficar de pé.
Sou as folhas que voam ao vento,
mas que escolhem o próprio pouso.
Não se engane:
eu sei pra onde estou indo.


Houve flores que não floriram,
pelos caminhos que me trouxeram aqui,
sonhos que o tempo levou antes da hora,
há perfume que se perdeu sem ser sentido.
Mas há ternura naquilo que ficou:
o calor de um sol amigo na pele,
lembranças de um riso cravado na memória,
marcas eternas, impressas na poeira dos passos.


Nem sempre chego inteiro.
As partes que chegam se fazem suficientes.
Não se sobe no pódio
evitando sofrimento.
Sou a soma exata das partes que vivo,
que se arquivam na minha trajetória,
e, por tudo isso, sou um vencedor.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

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Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)