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sexta-feira, novembro 28, 2025

Gotinhas de Poesia # 14 - Nem Sempre

 



✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
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✒ Este e todos os demais conteúdos deste blog são obras de autoria de Pedro Trajano de Araujo.
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quarta-feira, novembro 26, 2025

Azul Singular

Quem sorriu ao azul do mar
sem ver o azul dos teus olhos
é marinheiro —
barco à margem,
que desconhece
o horizonte.

Quem contemplou o azul do céu
sem ter visto o azul dos teus olhos
é como pássaro voando
com o sol interditado
por nuvens de chuva.

Quem conhece todas as cores
e não conhece o azul dos teus olhos
é como um pintor cego,
sem tela.


E eu, entre todos, o privilegiado,
tenho este azul que me olha.


✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

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Gotinhas de Poesia # 13 - Sob a lua inteira

 













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Gotinhas de Poesia # 12 - miseráveis










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quarta-feira, novembro 12, 2025

Todos os Instantes no Agora

Há noites em que te encontro,
diferentes de todos os outros encontros,
em territórios que só existem quando nos desejamos.
Sou paisagem que arde quando me tocas,
pela lembrança que incendeia o corpo
o que desperta o que jamais adormece.

Carrego vestígios teus
nas frestas vivas da minha pele,
como murmúrios pulsando
entre as brisas das árvores,
ou guardados em vidros antigos
que o tempo abre devagar,
com a mesma sede dos meus lábios.


E quando te aproximas,
a penumbra se curva ao nosso desejo —
somos só nós,
corpos que se encontram e se consomem,
inteiros na chama que nos chama,
no desejo que nos reclama.

Então deixamos que o instante
nos devore sem pudor,
pois, quando nossas respirações se tocam,
o próprio agora
aprende o ritmo ardente do amor
e se oferece inteiro a nós.
Somos só nós — eu e você.

✍️ @opoetatardio – Pedro Trajano
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terça-feira, novembro 04, 2025

Cicatrizes

Porque até a dor, um dia, encontra sua forma de silêncio.

✍️ 
Deixei-te na praia da memória, naquele canto onde a ausência inventa ondas próprias.
Escrevi teu nome na areia, acreditando, por um instante, que o mar teria algum cuidado,
mas ele passou, distraído como sempre, e apagou o que restava de ti.

Tentei recolher conchas vazias, porque achei que carregar restos ainda fosse carregar algo.
Não sabia que algumas memórias têm gumes escondidos.
Cortei meus dedos numa concha partida — uma adaga silenciosa esquecida entre os grãos.

O tempo… ah, o tempo.
Um farol cego, parado no instante do naufrágio, incapaz de me apontar qualquer direção.
Ele não me iluminou, não me guiou.
Aprendi foi a sangrar sem me afogar,
e deixei que o sal fizesse o trabalho que, às vezes, o amor não faz:
tocar a ferida até que ela, exausta da própria dor, resolvesse cicatrizar
na aspereza do esquecimento.

Agora levo tua voz comigo, não como lembrança apagada,
mas como uma bússola quebrada — daquelas que insistem em apontar
para o único lugar onde você não está.
Ainda assim, eu acredito, e planto sementes no meu deserto,
porque até os cactos aprenderam, em algum momento,
a beber das lágrimas que derramei tentando sobreviver a ti.

A dor também mudou de função.
Virou adubo, fertilizou o campo seco da saudade,
e hoje minhas cicatrizes — essa fronteira entre quem fui
e o que a tua ausência acabou moldando — começam, aos poucos,
a se desfazer na areia, discretas,
como se nunca tivessem existido.

E sigo, meio perdido, mas menos ferido do que antes.

✍️ @opoetatardio – Pedro Trajano

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segunda-feira, novembro 03, 2025

Há de ser...



Se o amor é cor, há de ser a que não desbota;
se o amor é brilho, há de ser o que renasce no olhar;
se o amor é matéria, há de ser a que atravessa o tempo;
se o amor é eterno, há de ser o que não seja líquido;
se o amor é credo, há de ser a fé que acolhe e não divide;
se o amor é caminho, há de ser a jornada que se constrói a cada passo;
se o amor é remédio, há de ser a cura que permanece quando tudo falha.


✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
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quarta-feira, outubro 29, 2025

A Magia da Chuva

Quando o som da chuva ensina o coração a silenciar

✍️
Há algo na chuva de mágico —
a dança dos pingos d’água
uma orquestra sem pressa
abafando os barulhos do mundo.

Acalmando os gritos que saem do peito
como um toque leve de consolo
dizendo baixinho
que não há culpa em gritar
não há culpa em se calar
não há culpa em parar
não há culpa em continuar
não há culpa em duvidar
não há culpa em acreditar.


O vidro embaça, o mundo desfoca
e nesse borrão há beleza:
talvez o calor não venha só do sol —
mas desse instante
em que a chuva conversa com a alma.

Ainda que fria
tem o poder de aquecer
e tudo se aquieta —
até o silêncio
que antes gritava.


✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
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Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)