Encontre aqui:

terça-feira, maio 27, 2025

Encontros não Planejados

Não foi o sonho que escolhi,
nem a estrada que, por vezes, segui.
Também não foram as pedras que desviei,
mas o tropeço que me acordou.
Entre o improvável e os meus planos,
floresceram caminhos que não estavam descritos —
roteiros não lidos.
✍️
Vieram amizades improváveis,
gestos sem ensaio,
afetos que não pedi,
milagres pelos quais nem ousei orar —
e, no meio do incerto,
descobri motivos para sorrir.
Como? Eu não sei.
✍️
Há paixões tão quentes
e tão breves que não aquecem.
Há amores que nos escapam,
que acabam entre a promessa e a prova.
Ora, culpa nossa...
tantas outras, porque alguém não quis ficar.
✍️
Mas, nos desvios da vida,
no dia a dia com suas surpresas,
onde o que liberta ou prende pode ser a rotina,
encontramos os melhores abraços
numa curva fora do mapa —
e tão repentina
que faz parecer que foi sina.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

Você também pode gostar desse poema: Intraduzível

 

terça-feira, maio 20, 2025

Intraduzível

São tantas poesias na minha mente
e poucas palavras no dicionário.
Às vezes, confundo rimas
com estilo de vida.
✍️
Meus sentimentos quase sempre chegam primeiro,
minha fala, sempre atrasada.
Tem dor que eu já não nomeio,
meu amor pelos versos não se explica.
✍️
O que mora em mim só habita em poetas
e não cabe em frases ditas.
Então, me perdoa pelo silêncio —
ele é muito do que consigo dizer,

quando minha alma apenas grita
e o mundo não sabe me entender.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

terça-feira, maio 13, 2025

Reaprender a Esperar

É preciso mais paciência com as demoras.
Nem tudo acontece no deslize dos dedos,
os amores verdadeiros pedem tempo, não pressa.

O café esfria, o ônibus atrasa,
nem sempre se veem dois riscos azuis na tela,
a resposta não chega — mas a vida continua.

As estações do ano seguem sendo quatro,
uma criança ainda leva nove meses para nascer,
não existe algoritmo que ensine a viver.

Enquanto espero, desaprendo a correr.
Reaprendo a respirar devagar.

Porque, às vezes,
o que demora
é o que vale a espera.


✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

domingo, maio 11, 2025

Mães em uma só Mulher

Carrega sua mãe de um jeito que às vezes não percebe,
no olhar semelhante ao enfrentar a tempestade,
no amor que sangra e não recua.

Acolhe as heranças da avó sutilmente,
na fé teimosa, nos conselhos sussurrados.
É soma de mulheres antes dela —
costuradas nela com linha invisível.

Mas os tempos mudaram…

Hoje ela luta por espaço, por voz, por fôlego.
É mãe em tempo de pressa,
de multitarefa como regra,
de culpa velada em reza.

Mas há momentos em que escuta as vozes antigas:
“Respira. Você não é obrigada a fazer tudo.”

E ali, entre o caos e o colo,
lembra que ser mãe é também ser filha, neta —
da história, da memória, do amor que veio antes,
e que ela agora semeia no coração da sua prole.


✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

quinta-feira, maio 08, 2025

Leão de Paz (para o Papa Leão XIV)











Fumaça branca sobe em silêncio.
E nasce um nome —
não em rugido, mas em prece.
Leão que não caça, acolhe.
Com os olhos no mundo,
trono curvado aos que precisam,
carrega o peso da simplicidade:
amar, escutar, servir.
✍️
Que assim seja este papado,
um eco de prece,
uma força tranquila,
onde o coração, unido a Deus,
seja um farol para a humanidade.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

Este poema é uma simples homenagem minha ao nosso novo Papa Leão XIV. Desejo e oro para que seu papado seja um farol de simplicidade, amor e humildade para toda a humanidade.

terça-feira, maio 06, 2025

Minha Viagem

Entrei em terra esquecida, sem rumo, sem mapa,
me perdi nos becos sem saída, onde o eu que sou se esconde.
Andei por estradas dentro de mim, sem saber o que buscava,
rastejei por caminhos estreitos, sem pressa de sair,
afastando-me do coração,
onde os medos que sempre evitei me esperavam.

Sentei-me com sombras antigas,
tomei café com a amargura,
encarei o que sempre neguei.
Bati às portas da minha própria história,
mas só os "demônios" internos responderam.
Pedi perdão, ouvi sarcasmo,
até entender que eu mesmo alimentava os dois lobos.

Agora sigo, deixando as cicatrizes à mostra,
não me envergonham, são testemunhas.
Jurei partir, e a saída está logo ali.
Sou estrada, sou viagem, sou meu próprio destino.
Sou homem feito, mas ainda visto a pele de um menino.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

quinta-feira, maio 01, 2025

Quando Era Só Viver

Esqueci de ouvir o tinir dos talheres,
na pressa de engolir o almoço.
Não reparei no riso tímido da minha filha,
nem no prato que minha esposa pôs com carinho,
enquanto eu respondia mais uma mensagem.

Passei por ipês em flor,
com os olhos presos na tela do celular,
enquanto relâmpagos dançavam no horizonte—
eu estava ausente do momento presente.

Quantas coisas fui deixando pra depois,
como se a vida fosse algo que se salva em nuvens.
Mas ela não tem download,
não tem botão de pausa.

Hoje, lembro do que quase vivi,
como quem tateia um sonho já esquecido.
E, enfim, compreendi:
o ouro só brilha
diante dos olhos de quem sabe admirar.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano


Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)