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terça-feira, junho 10, 2025

Vale a Pena, Sim

















Hoje, enquanto o sol pousava devagar sobre a horta,
agradeci por estar ali, inteiro,
apesar de alguns remédios e remendos.
Os amigos que ficaram — poucos, mas fiéis —
me sustentam quando o chão some dos pés.
Eles me veem além do mau humor e dos sorrisos,
e ficam, mesmo quando nem eu me entendo.
✍️
Lembrei da minha filha:
um pedaço meu que caminha solto,
ensinando-me a ver o mundo com outros olhos.
Cada gesto e sorriso dela,
é um poema novo que Deus me escreve.
✍️
A mesa da família tem sempre uma cadeira vazia,
sempre aguardando você chegar.
Ali, entre o café quente e a prosa partilhada,
há lugar para pelo menos mais um...
✍️
Ao meu lado, o amor que escolhi
todos os dias, para todos os dias,
mesmo nas manhãs nubladas do nosso casamento.
Não somos perfeitos, mas somos promessas
que resistem aos modernos "amores líquidos".
✍️
A vida, ah… sempre surpreende.
Tem espinhos, sim.
Mas cada rosa colhida fere a mão com leveza.
E cada espinho tirado renova a vontade
de viver cada instante com a alma estendida.
Sou feliz por cada passo que me trouxe até aqui.
✍️
Se amanhã eu calar,
que saibam:
valeu a pena, sim —
porque amei, fui amado,
e tentei ser alguma luz, mesmo nos meus dias escuros.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

terça-feira, junho 03, 2025

Felicidade

O que é a felicidade? — me perguntaram —
demorei pra entender,
precisei de tempo pra responder.
✍️
É quando o mundo silencia por dentro,
e o tempo se dobra
pra caber no agora.
✍️
É estar onde a alma repousa,
fazendo o que precisa ser feito,
sem pressa, sem culpa, sem tristeza.
✍️
E, quando a morte chegar — sem surpresa —
me encontrará fazendo o que é certo,
em paz, no lugar que devo estar.
✍️
Sorrirei pra ela
no milésimo segundo que resta.
Não serei levado,
irei de bom grado,
rumo a um outro lugar sagrado.


✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano


Este poema foi inspirado por uma frase que ouvi em um podcast:

“Felicidade é estar fazendo o certo, no lugar certo, quando a morte chegar.”

 

terça-feira, maio 27, 2025

Encontros não Planejados

Não foi o sonho que escolhi,
nem a estrada que, por vezes, segui.
Também não foram as pedras que desviei,
mas o tropeço que me acordou.
Entre o improvável e os meus planos,
floresceram caminhos que não estavam descritos —
roteiros não lidos.
✍️
Vieram amizades improváveis,
gestos sem ensaio,
afetos que não pedi,
milagres pelos quais nem ousei orar —
e, no meio do incerto,
descobri motivos para sorrir.
Como? Eu não sei.
✍️
Há paixões tão quentes
e tão breves que não aquecem.
Há amores que nos escapam,
que acabam entre a promessa e a prova.
Ora, culpa nossa...
tantas outras, porque alguém não quis ficar.
✍️
Mas, nos desvios da vida,
no dia a dia com suas surpresas,
onde o que liberta ou prende pode ser a rotina,
encontramos os melhores abraços
numa curva fora do mapa —
e tão repentina
que faz parecer que foi sina.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

Você também pode gostar desse poema: Intraduzível

 

terça-feira, maio 20, 2025

Intraduzível

São tantas poesias na minha mente
e poucas palavras no dicionário.
Às vezes, confundo rimas
com estilo de vida.
✍️
Meus sentimentos quase sempre chegam primeiro,
minha fala, sempre atrasada.
Tem dor que eu já não nomeio,
meu amor pelos versos não se explica.
✍️
O que mora em mim só habita em poetas
e não cabe em frases ditas.
Então, me perdoa pelo silêncio —
ele é muito do que consigo dizer,

quando minha alma apenas grita
e o mundo não sabe me entender.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

terça-feira, maio 13, 2025

Reaprender a Esperar

É preciso mais paciência com as demoras.
Nem tudo acontece no deslize dos dedos,
os amores verdadeiros pedem tempo, não pressa.

O café esfria, o ônibus atrasa,
nem sempre se veem dois riscos azuis na tela,
a resposta não chega — mas a vida continua.

As estações do ano seguem sendo quatro,
uma criança ainda leva nove meses para nascer,
não existe algoritmo que ensine a viver.

Enquanto espero, desaprendo a correr.
Reaprendo a respirar devagar.

Porque, às vezes,
o que demora
é o que vale a espera.


✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

domingo, maio 11, 2025

Mães em uma só Mulher

Carrega sua mãe de um jeito que às vezes não percebe,
no olhar semelhante ao enfrentar a tempestade,
no amor que sangra e não recua.

Acolhe as heranças da avó sutilmente,
na fé teimosa, nos conselhos sussurrados.
É soma de mulheres antes dela —
costuradas nela com linha invisível.

Mas os tempos mudaram…

Hoje ela luta por espaço, por voz, por fôlego.
É mãe em tempo de pressa,
de multitarefa como regra,
de culpa velada em reza.

Mas há momentos em que escuta as vozes antigas:
“Respira. Você não é obrigada a fazer tudo.”

E ali, entre o caos e o colo,
lembra que ser mãe é também ser filha, neta —
da história, da memória, do amor que veio antes,
e que ela agora semeia no coração da sua prole.


✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

quinta-feira, maio 08, 2025

Leão de Paz (para o Papa Leão XIV)











Fumaça branca sobe em silêncio.
E nasce um nome —
não em rugido, mas em prece.
Leão que não caça, acolhe.
Com os olhos no mundo,
trono curvado aos que precisam,
carrega o peso da simplicidade:
amar, escutar, servir.
✍️
Que assim seja este papado,
um eco de prece,
uma força tranquila,
onde o coração, unido a Deus,
seja um farol para a humanidade.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

Este poema é uma simples homenagem minha ao nosso novo Papa Leão XIV. Desejo e oro para que seu papado seja um farol de simplicidade, amor e humildade para toda a humanidade.

Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)