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terça-feira, outubro 07, 2025

Asas que ficam

As asas da amizade que elevam nossos pensamentos

✍️
Meu caminho não é linha reta,
é rastro de passos que o vento de agosto não levou.
Gente que conheci —
cujas memórias se misturam
aos lampadários acesos nas varandas;
umas vieram como ritmo de samba
e partiram antes de eu aprender a letra;
outras ficaram no baú da história,
como cheiro de café em cozinha ancestral.

As que partiram deixaram sabores e desabores nos meus ombros;
as que ficaram, me deram asas.

Das que permaneceram, faço raiz e voo:
raízes para lembrar que a amizade é porto,
voo para encontrar outros brothers.

Aprendi que, nos olhos-nos-olhos,
há mais casa que nas margens
que num abraço cabe um bairro inteiro;
e que dois amigos, em silêncio,
podem atravessar desertos —
sem sede,
apenas com o umedecer da saliva
das conversas antigas, lembranças vivas.

E assim sigo:
com a herança dos encontros guardada no peito,
a coragem de não precisar caminhar sozinho
e as palavras pronunciadas
na língua secreta dos que trocam
prosa boa sob um céu de Penápolis
e mil outras cidades.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

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✒ Este e todos os demais conteúdos deste blog são obras de autoria de Pedro Trajano de Araujo.

⚠ A reprodução, total ou parcial, para fins comerciais, é proibida sem autorização expressa do autor.

📧 Contato: pedrotrajanoaraujo@gmail.com


segunda-feira, outubro 06, 2025

Ídolocentrismo




Em tempos de ídolocentrismo, com pessoas embebedadas na própria imagem, quem olha para o outro descola-se da massa.







✍️ @opoetatardio – Pedro Trajano

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terça-feira, setembro 30, 2025

Tudo o Que Ainda Vem

O temor do quase e a coragem do agora

✍️
Tenho medo —
não do fim,
mas do quase,
do “espera um pouco”,
do “e se” que fica,
do “e se” que não passa.

Deixar a promessa escapar — distraída,
enquanto corro atrás — do urgente,
apagando fogo — com gasolina,
sem notar — a água que dança ao meu lado.



A vida é, às vezes,
guarda-chuva fechado,
num dia de quase chuvisco,
ou o carregamos em vão,
ou o esquecemos — no canto da parede.

Tenho pressa de parar,
anseio de esperar,
viver o hoje — que já está acontecendo,
abraçar o dia sem a espera.

Tenho urgência —
de um amor sem pressa,
sem pressa para ficar,
sem pressa para ir embora.

E que eu fique inteiro,
mesmo que o medo 
às vezes
me acompanhe,
como sombra,
que assombra,
mas não impede
de viver.

✍️ @opoetatardio – Pedro Trajano

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terça-feira, setembro 16, 2025

Volto Já

Um instante de pausa para reencontrar a mim mesmo

✍️
Me ausentarei um pouco —
mas regressarei mais leve,
desatando o nó do cansaço
com os dedos da paz,
em torno de mim farei um laço.

Cuidarei do que em mim
grita calado:
um pouco de vida sem manual,
um sopro de rebeldia
contra o relógio acelerado.

Catarei silêncios nas bordas do eu,
observarei maritacas tagarelas nas copas em festa,
ouvirei o bem-te-vi que canta e retorna,
vereis pássaros migrando no instante comum,
e sentirei o riso manso das árvores.

Encantarei-me com o sorriso de criança,
beberei água de torneira,
ei de molhar os cabelos na torrente da cachoeira,
cruzarei o céu apenas com um olhar,
sobrevoarei neve, sertão e mar.

Deixarei de ser, por um instante,
um número solto no sistema.
Andarei como andarilho de nuvens,
borrifarei no asfalto quente
o perfume da infância guardada.
Soletrarei com o vento sussurrando versos
de Cora, Vinicius, Cecília e Adélia,
e lembrarei dos poetas
da minha Penápolis.

Conversarei com o tempo no banco da praça —
como sempre, ele me pedirá um gole do verão
e ainda me dará alguns conselhos.
Sempre confio naquele ancião do saber,
entregando-lhe a água parada,
encontrando um sentido renovado.

Na brevidade de um fechar de olhos —
minutos que valerão por um dia —
ensaiarei respirar fundo,
encostando-me no tronco da figueira.
Na dança do ponteiro graúdo,
sentir-me-ei maior
que qualquer antônimo de miúdo.

Desviarei um tiquinho das urgências
e talvez — quem sabe — sonharei...
ao abrir meus olhos.

Voltarei, como um soldado deseja voltar —
não das guerras do mundo,
mas das batalhas invisíveis do interno.
E trarei comigo:
não armas de canhão,
mas flores nos bolsos,
uma lucidez no olhar
e vontade de me abraçar.

Então, cidadão —
ainda que seja só por agora,
não pautarei minha vida
pela sua urgência.
Um pouco de mim, só pra mim.

Fique tranquilo, não é abandono,
é cuidado próprio.
Volto já.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

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segunda-feira, setembro 15, 2025

Minhas Frases




✍️
No ar, um pedido quase utópico: um amor que dê ordem ao caos e dissolva a sombra do absurdo.











✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
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sexta-feira, setembro 12, 2025

Gotinhas de Poesia # 11 - Nem sempre

 


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sexta-feira, setembro 05, 2025

Relicário

Em teus olhos, o azul de um mar sem igual,
teus cabelos loiros — o sol quer beijá-los no fim das tardes.

Quantas primaveras bordaram teu sorriso?
Quantos cinco de setembros semearam teu caminho?
Menina lapidada em mulher, veste quatro décadas
de uma vida que floresce em poesia
com a graça de quem colhe flores do tempo.
Pois aprendeu, sendo professora,
que os que abraçam as estações da vida
não temem os ventos que trazem mudanças.

És rio que já se admira da margem,
serena em sua força, constante em sua jornada.
Flor que escolhe o instante exato para se abrir,
transformando obstáculos em catapultas,
pedras em estradas.

E eu, ao teu lado, me perco e me encontro:
sou o silêncio que te escuta,
e no teu abraço encontro meu porto.
Respiro teu riso, olho para onde olhas,
pois em ti, Cláudia, meu amor,
meu relicário —
habita o sagrado que escolhi do mundo.
Feliz aniversário.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano

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Gotinhas de Poesia # 10 - Carrego a Pressa

 















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Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)