A caneca empoeirada na estante
ainda espera o café da conversa.
O sofá — meio torto — guarda o lugar
onde a amizade se sentava, sem pressa.
Idas e vindas,
horas viram dias.
Olhe para trás:
e a visita, aonde fica?
Corre-corre de uma geração
plugada, ligada.
Stories, emojis e um “bom dia”
na palma da mão —
Visitá-lo? Não dá. Hoje, não.
Entre culpa e desculpas,
pilhas de agendas sobre a mesa;
entre avançar ou adiar,
aonde fica o visitar?
Minutos viram horas, horas viram dias,
dias viram anos... anos de uma vida,
até que o tempo, finito, determina,
sem aviso:
não há mais tempo para visitas.
Pedro Trajano
@opoetatardio
Este poema é uma adaptação de um poema com o mesmo nome que escrevi em agosto de 2020.

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