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segunda-feira, abril 14, 2025

Amigo que é amigo visita


A caneca empoeirada na estante
ainda espera o café da conversa.
O sofá — meio torto — guarda o lugar
onde a amizade se sentava, sem pressa.

Idas e vindas,
horas viram dias.
Olhe para trás:
e a visita, aonde fica?

Corre-corre de uma geração
plugada, ligada.
Stories, emojis e um “bom dia”
na palma da mão —
Visitá-lo? Não dá. Hoje, não.


Entre culpa e desculpas,
pilhas de agendas sobre a mesa;
entre avançar ou adiar,
aonde fica o visitar?

Minutos viram horas, horas viram dias,
dias viram anos... anos de uma vida,
até que o tempo, finito, determina,
sem aviso:
não há mais tempo para visitas.


Pedro Trajano
@opoetatardio

Este poema é uma adaptação de um poema com o mesmo nome que escrevi em agosto de 2020.

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Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)