Cada passo abre um caminho
quando o coração consente
não viver ao acaso.
Depois da tempestade
o céu não promete.
Só mostra
que a luz também trabalha
sobre a lama.
Somos parte da história,
mas também a escrevemos
com as mãos,
com os dias,
com o que não recuou.
Não viemos ao mundo
apenas para passar.
Erguemos nele
o que o tempo não apaga.
Não estamos aqui de aluguel.
Erguemos paredes,
pontes,
legados
e lembranças.
Tudo pode passar.
Ainda assim
algo
resiste.
Como luz
sobre a lama.
Nota do autor
Neste poema, o tempo não aparece como ameaça, mas como matéria de construção. Não Somos Hóspede. Eu proponho um olhar em que viver é deixar marcas, erguer sentido e resistir à passagem. O ser humano não surge como simples hóspede do mundo, mas como alguém chamado a habitá-lo com obra, memória e permanência.

Nenhum comentário:
Postar um comentário