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sábado, abril 25, 2026

Onde Ainda Cede

não foi na estação das flores

o galho cede
onde caiu

ou onde insisto em voltar

há dias
em que digo que já passou


há outros
em que ainda piso ali

como se fosse a primeira vez

raiz encontra água

ou repete o caminho
mesmo quando não há

eu digo “ficou”

mas não sei
se fui eu que deixei

ou se nunca saiu

o vento passa

(e passa diferente
cada vez que volto)

há algo aqui

não fixo
não estável

talvez nem seja o mesmo

mas ainda cede

e eu continuo

como se entender
mudasse alguma coisa


— Pedro Trajano


Nota do autor
    Há experiências que não terminam quando acabam. Permanecem como um ponto ao qual se volta, mesmo sem intenção.
    Não sei direito onde fica esse lugar em mim. Talvez, com este poema, eu tenha tentado tocar o que não fixa e, ainda assim, permanece.

 

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Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)