não foi na estação das flores
o galho cede
onde caiu
ou onde insisto em voltar
há dias
em que digo que já passou
há outros
em que ainda piso ali
como se fosse a primeira vez
raiz encontra água
ou repete o caminho
mesmo quando não há
eu digo “ficou”
mas não sei
se fui eu que deixei
ou se nunca saiu
o vento passa
(e passa diferente
cada vez que volto)
há algo aqui
não fixo
não estável
talvez nem seja o mesmo
mas ainda cede
e eu continuo
como se entender
mudasse alguma coisa
— Pedro Trajano
Nota do autor
Há experiências que não terminam quando acabam. Permanecem como um ponto ao qual se volta, mesmo sem intenção.
Não sei direito onde fica esse lugar em mim. Talvez, com este poema, eu tenha tentado tocar o que não fixa e, ainda assim, permanece.

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