Carrego o peso da minha existência,
como uma vida inerte, deixada nas trevas do porão,
cercado por armadilhas que se fecham
sem que os olhos alcancem o sol.
Já não recordo o primeiro dia
que deu início ao resto da minha vida,
onde, amando, sou esquecido,
um fardo que se impõe aos ombros até o chão.
Entre passos apressados e sem rumo,
me vejo desintegrar nas sombras da solidão,
como um solo árido diante do dilúvio,
o vazio, algo que posso tocar,
um buraco que cresce, mas uma voz me chama,
uma ausência que me consome.
Já não sei de onde venho,
mas reconheço o caminho à minha frente.
Viver é esquecer e recordar,
um ciclo sem fim, onde cada passo se apaga,
onde a certidão de nascimento
não revela o peso das décadas que me forjaram.
E sigo, em silêncio,
buscando um fragmento de sentido
no que fui,
para, quem sabe, encontrar no que sou
um pedaço de resposta.
Enquanto o mundo, indiferente, passa,
sinto-me como uma geração esquecida,
como se o tempo tivesse me abandonado.
Mas, entre o vazio e o nada,
há uma voz persistente que me chama de volta:
Você ainda está aqui.
E talvez, em algum lugar, isso seja o princípio do que está por vir.
opoetatardio
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