Das raízes da memória ao agora que se forma.
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Não conto mais os anos, mas as luas que me viram
o começo do meu florescer em meio ao sol e às geadas
entre cafezais e canaviais
Chego aqui com as estradas que me abriram
e a poeira do século passado em meus sinais
Já bati facão no tronco de cana queimada
e deixei suor das mãos em cabo de enxada
Mas o tempo passou pincelando muitas telas
e a alma, enfim, foi se aquietando, a serenando
enquanto a dor no joelho chegou, discreta.
O tempo, este escultor de traços pacientes
talhou em mim os mapas onde morri e vivi
e o espelho me devolve um corpo mais ciente
com fios brancos surgindo, silenciosos e persistentes
Honro a semente de onde a minha história nasceu
meus pais, meus irmãos, meu primeiro alicerce
Guardo os amigos, raros e valiosos tesouros
e as três estrelas, minha constelação
Cláudia, Emanuelly e a poesia que me invade
um trio que dá sentido ao tempo que me pertence.
O homem que sou já não tem a pressa de ontem
e prefere o silêncio que mora entre as palavras
Demorei para encontrar, mas ela veio em boa hora
a força que em minhas raízes se lavra
Minhas rimas buscam hoje o peso da terra
a leveza das nuvens, a calma de um céu azul
e o verso brota sem que a mente o desenterra
como flores que escolhem o inverno do sul.
A estatística sugere que eu já deva ter
mais história que futuro em minha jornada
mas a realidade teima em me dizer o contrário
Liberto das cobranças, dos números seguros
sigo o meu tempo, meu próprio itinerário
Pois, no fim, o que vale é o agora em serena mutação
ancorado na vida, pronto para a dança
que o destino trouxer de presente em cada estação.
Então, celebro meus cinquenta tons
não com velas — porque elas queimam e desaparecem —
mas com plumas: essas sabem voar comigo
Proclamo à vida e bato palmas para mim!
Agradeço a Deus pelo maior dos dons
e por ter chegado, finalmente, a este jardim
Feliz aniversário, poeta, por ser quem fui, sou e serei
e por estar celebrando a dança que a vida me propôs
ainda que eu erre alguns passos, volto à pista
porque a vida começa — a todo instante.
✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
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