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terça-feira, junho 02, 2026

Quando Nada se Pede

Há de chegar um tempo
na vida de toda pessoa,
mais que um desejo, é quase oração —

o dia em que ela, diante do mundo,
como quem permite ao beija-flor
tocar o néctar da flor,
não olhará para tomar,
não tocará para medir,
não nomeará para dominar,
nem pensará em aprisionar.

Ficará ali.


Pacientemente diante do que é,
como uma casa aberta ao entardecer,
com as mãos desarmadas do querer
e a alma mais pura que a de uma criança,
sabendo
que o real se revela
apenas a quem não o força.

Quando — e se — chegar esse momento,
essa pessoa descobrirá
que a atenção
é este silêncio ativo
que se oferece apenas
a quem está presente,
onde nada se pede
e tudo, enfim, pode acontecer.

E compreenderá que a beleza
recusa-se a ser observada
por corações que a olham
com desejo de posse
e pressa para tudo acabar.

Nota do autor
    Este poema nasceu da reflexão do autor sobre uma crise de ciúmes — não como confissão, mas como escuta de um sentimento que, quando não atravessado, faz sofrer a todos os envolvidos.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
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✒ Este e todos os demais conteúdos deste blog são obras de autoria de Pedro Trajano de Araujo.
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sábado, maio 09, 2026

Maternidade


A parte mais bela da maternidade talvez seja esta: ser a única casa que um filho um dia precise deixar… sem nunca partir por inteiro.

— Pedro Trajano

terça-feira, maio 05, 2026

Somos filhos e filhas

Respiramos o mundo juntos, todos conectados.

✍️
Somos todos filhos e filhas:
…do instante que nos cria e nos prende
…do mesmo amor e ódio que se sente
…de um tempo que nos carrega como quem leva folhas secas nas mãos
…da noite que nos abriga e da manhã que nos convida
…da chuva que cai sem pedir licença e lava o que o peito não diz
…do sol que aquece peles e plantas, sinal teimoso de vida
…de tudo o que perdemos e do que ainda buscamos
…de tesouros invisíveis que a vida esconde nas dobras da rotina.

Somos todos filhos e filhas:
…da luz que acende caminhos sem lua
…de um silêncio travesso que nos chama pelo nome
…da poesia que nos costura por dentro quando o mundo rasga
…da brisa que sopra respostas à pergunta que ainda não fizemos
…de um céu que descansa sobre nossas dúvidas.

Somos feitos, também, de:
…da mesma fome de ternura e de pertença
…da esperança que insiste mesmo em chão rachado
…dos gestos pequenos que salvam mais do que sabemos
…das lutas que nos moldam e das quedas que nos igualam
…da floresta que respira por nossos pulmões cansados
…do campo que nos ensina o ciclo paciente da espera
…da cidade que pulsa em nós como um segundo coração
…do café quente que acorda a casa antes do sol.

sábado, abril 25, 2026

Onde Ainda Cede

não foi na estação das flores

o galho cede
onde caiu

ou onde insisto em voltar

há dias
em que digo que já passou


há outros
em que ainda piso ali

como se fosse a primeira vez
Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)