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sexta-feira, novembro 15, 2024

Sextou

O tempo se dobra no fim da jornada,
Ruas exalam promessas douradas.
Na taça dourada, um riso refém,
Brindando a ilusão de um gozo que vem.

Sextou — senha de fuga acordada,
Labirinto de risos, festa ensaiada.
Na linha dos dias, um marco qualquer,
Redescobrir-se vivo no verbo viver.


opoetatardio


Nesse meu poema, eu brinco com a dualidade do "sextou". De um lado, trago a expectativa de liberdade e felicidade que esse dia carrega, quase como uma promessa de respiro após a rotina exaustiva. Mas, ao mesmo tempo, questiono se essa alegria não é apenas um ritual repetitivo, uma fuga ensaiada dentro de um roteiro já escrito. Há um tom poético, mas também uma crítica sutil à forma como nos condicionamos a buscar prazer dentro de padrões sociais predefinidos, como se precisássemos de um dia marcado no calendário para nos lembrar de viver.

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Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)