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segunda-feira, junho 15, 2026

Gotinhas de Poesia # 30

 


enquanto passamos reels,
o tempo passa por nós.

— Pedro Trajano

sexta-feira, junho 12, 2026

Gotinhas de Poesia # 29 - 12 de junho: Dia dos namorados

 


o melhor dos meus dias
não é o que acontece.

é quem atravessa
os acontecimentos comigo.

você.

 — Pedro Trajano

quarta-feira, junho 10, 2026

Gotinhas de Poesia # 28

 


havia sombra abundante.
ainda assim,
a semente procurou o chão e o céu.
chuva, vento e sol.

— Pedro Trajano


terça-feira, junho 09, 2026

Gotinhas de Poesia # 27

 


a noite ainda ocupava o quintal.
os galos não discutiram com ela.
cantaram para a manhã.

— Pedro Trajano

terça-feira, junho 02, 2026

Quando Nada se Pede

Há de chegar um tempo
na vida de toda pessoa,
mais que um desejo, é quase oração —

o dia em que ela, diante do mundo,
como quem permite ao beija-flor
tocar o néctar da flor,
não olhará para tomar,
não tocará para medir,
não nomeará para dominar,
nem pensará em aprisionar.

Ficará ali.


Pacientemente diante do que é,
como uma casa aberta ao entardecer,
com as mãos desarmadas do querer
e a alma mais pura que a de uma criança,
sabendo
que o real se revela
apenas a quem não o força.

Quando — e se — chegar esse momento,
essa pessoa descobrirá
que a atenção
é este silêncio ativo
que se oferece apenas
a quem está presente,
onde nada se pede
e tudo, enfim, pode acontecer.

E compreenderá que a beleza
recusa-se a ser observada
por corações que a olham
com desejo de posse
e pressa para tudo acabar.

Nota do autor
    Este poema nasceu da reflexão do autor sobre uma crise de ciúmes — não como confissão, mas como escuta de um sentimento que, quando não atravessado, faz sofrer a todos os envolvidos.

✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
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✒ Este e todos os demais conteúdos deste blog são obras de autoria de Pedro Trajano de Araujo.
⚠ A reprodução, total ou parcial, para fins comerciais, é proibida sem autorização expressa do autor.
📧 Contato: pedrotrajanoaraujo@gmail.com

sábado, maio 09, 2026

Maternidade


A parte mais bela da maternidade talvez seja esta: ser a única casa que um filho um dia precise deixar… sem nunca partir por inteiro.

— Pedro Trajano

terça-feira, maio 05, 2026

Somos filhos e filhas

Respiramos o mundo juntos, todos conectados.

✍️
Somos todos filhos e filhas:
…do instante que nos cria e nos prende
…do mesmo amor e ódio que se sente
…de um tempo que nos carrega como quem leva folhas secas nas mãos
…da noite que nos abriga e da manhã que nos convida
…da chuva que cai sem pedir licença e lava o que o peito não diz
…do sol que aquece peles e plantas, sinal teimoso de vida
…de tudo o que perdemos e do que ainda buscamos
…de tesouros invisíveis que a vida esconde nas dobras da rotina.

Somos todos filhos e filhas:
…da luz que acende caminhos sem lua
…de um silêncio travesso que nos chama pelo nome
…da poesia que nos costura por dentro quando o mundo rasga
…da brisa que sopra respostas à pergunta que ainda não fizemos
…de um céu que descansa sobre nossas dúvidas.

Somos feitos, também, de:
…da mesma fome de ternura e de pertença
…da esperança que insiste mesmo em chão rachado
…dos gestos pequenos que salvam mais do que sabemos
…das lutas que nos moldam e das quedas que nos igualam
…da floresta que respira por nossos pulmões cansados
…do campo que nos ensina o ciclo paciente da espera
…da cidade que pulsa em nós como um segundo coração
…do café quente que acorda a casa antes do sol.

sábado, abril 25, 2026

Onde Ainda Cede

não foi na estação das flores

o galho cede
onde caiu

ou onde insisto em voltar

há dias
em que digo que já passou


há outros
em que ainda piso ali

como se fosse a primeira vez

terça-feira, abril 07, 2026

O Novo

A mudança acontece como algo antigo e sagrado, movendo-se devagar, quase invisível.

✍️
Na mudança pode haver uma brisa antiga
como se um anjo proclamasse os versos que Jerusalém selou em seus pergaminhos
tocando o cerne do eu coletivo como um fogo que ilumina sem ferir
deixando seivas lentas pulsarem nas raízes que insistem em rasgar o tempo
e mesmo quando o mundo corre o novo não se apressa —
e a alma aprende a esperar o que não nasce depressa —
então se descobre ser apenas um sopro
a mudança atravessando quase invisível a mais uma geração.




✍️@opoetatardio — Pedro Trajano
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sábado, abril 04, 2026

Gotinhas de Poesia # 21

 

— Pedro Trajano
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quarta-feira, abril 01, 2026

Nada ou Quase Nada

 Flávio da Silva observava a bicicleta encostada na parede do corredor de blocos sem reboco, azul metálica com um laço rosa no guidão e adesivos de unicórnio brilhando sob a luz fraca da manhã. A beleza da bike destoando daquele lugar que dava acesso a dois cômodos nos fundos de uma oficina, um espaço entulhado por mobílias velhas e promessas não cumpridas.
    Era o presente de aniversário de Ana Clara, acabando de ser deixado ali pela tia Marina que viajaria a trabalho e não poderia entregá-lo pessoalmente.
    — Você entrega assim que ela chegar da escola! Quero ver a reação dela. Grave um vídeo e me manda! — disse a irmã enquanto adentrava o carro com ar de quem já estava muito atrasada.
    Flávio ficou com as palavras de confirmação presas na garganta, limitando-se a um aceno de mão à distância. Sua filha já sabendo do presente, tendo até desenhado uma bicicleta parecida e colado o papel na parede da casa, a pintura sendo a única beleza naquele canto onde o mofo crescia mais rápido que as esperanças.
    Flávio tirou uma foto da bicicleta com o velho celular de tela trincada para mandar à esposa, mas por algum motivo inexplicável desistiu, guardando o aparelho no bolso quando ele vibrou, uma notificação estridente e familiar que todo apostador conhece:
    “Multiplique sua chance hoje — odds especiais! Deportivo Malacateco x Real Estelí.”
    Ele não conhecia ambos os times, sequer saberia apontar a América Central num mapa, mas algo se acendeu por dentro, assim como um viciado em abstinência prestes a tomar o primeiro gole depois de dias sóbrio.

Gotinhas de Poesia # 20




 











✍️ Pedro Trajano
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sábado, março 28, 2026

Gotinhas de Poesia # 19


 












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terça-feira, março 24, 2026

Gotinhas de Poesia # 18

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Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)