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segunda-feira, novembro 18, 2024

Solidão Algemada

Lá fora, o sol se oculta
Dias nublados apagando a cor do meu ser.
À noite
A chuva se derrama sobre os telhados
E a solidão me prende, apertada.

Quanta dor em um coração ferido!
No canteiro, rosas e orquídeas
Já não florescem
Enquanto o ipê, abatido
Chora ao toque das correntes de vento.

Você ainda vive no meu pensamento.
Sem teu amor, me resta apenas o lamento
E as perguntas que ecoam no vazio
Do meu quarto que agora é frio.

Onde foi que nos perdemos?
Havia promessas
Mas, nas curvas da vida
Soltaste minha mão.

Nunca mais lhe vi...
Será que pensas em mim
Como eu, em você?
Será que outra presença
Te levou a fazer novos juramentos?

Eu não consegui seguir.
Permaneço aqui, no mesmo endereço
Sobrevivendo a este tropeço.

Queria poder dizer que mereço
Uma chance
Um novo recomeço.
Mas não tenho mais o seu número
Seu e-mail
Vou gritar sobre os corrimões das pontes.
Quem sabe minha voz
Toque nos seus tímpanos.
E, ainda que não volte
Saberás que minha saudade
Poderá
Sobreviver por anos.

Doce engano.

sexta-feira, novembro 15, 2024

Sextou

O tempo se dobra no fim da jornada,
Ruas exalam promessas douradas.
Na taça dourada, um riso refém,
Brindando a ilusão de um gozo que vem.

Sextou — senha de fuga acordada,
Labirinto de risos, festa ensaiada.
Na linha dos dias, um marco qualquer,
Redescobrir-se vivo no verbo viver.


opoetatardio


Nesse meu poema, eu brinco com a dualidade do "sextou". De um lado, trago a expectativa de liberdade e felicidade que esse dia carrega, quase como uma promessa de respiro após a rotina exaustiva. Mas, ao mesmo tempo, questiono se essa alegria não é apenas um ritual repetitivo, uma fuga ensaiada dentro de um roteiro já escrito. Há um tom poético, mas também uma crítica sutil à forma como nos condicionamos a buscar prazer dentro de padrões sociais predefinidos, como se precisássemos de um dia marcado no calendário para nos lembrar de viver.

quinta-feira, novembro 14, 2024

O Poeta Tardio

 

O


P

oeta pode tardar

o

tempo, às vezes, é lento

e

m passos que parecem hesitar

t

radução de um silêncio.


a

alma, porém, tem pressa:


T

oda poesia apressa

a

acelerando

r

renascendo em cada verso

d

esfazendo-se no espaço

i

mortal

o

nde o poeta não mais cabe no seu tempo.


Quando a Poesia Não Cabe no Tempo

Hoje trago um poema que fala sobre o tempo e o renascimento da poesia, sobre as palavras que chegam mesmo quando parecem tardias, mas que renascem a cada leitura e se tornam intemporais. "O Poeta Tardio" explora a pressa da alma frente à lentidão do tempo, a dualidade entre o eterno e o efêmero.

Deixo que cada um de vocês encontre seu próprio sentido nas linhas que seguem. 


Pedro Trajano
opoetatardio

quarta-feira, novembro 13, 2024

Livre-Arbítrio

Quantas escolhas cabem em um livre-arbítrio?
Cada decisão — um leque que se abre?
Um passo ao lado, um novo olhar
um podcast ouvido, uma mensagem sutil.

Quanto de nós é escolha pessoal
quanto de nós é influência externa?
Entre o destino e o passo que tomamos
em quantas direções podemos seguir
quantas versões de nós são, de fato, nós mesmos?

A linha que separa nossas escolhas
é tênue e, muitas vezes, influenciável.
O livre-arbítrio — é questionável!

Reflexões Sobre o Livre-Arbítrio: Uma Jornada de Escolhas

O que realmente é o livre-arbítrio? Muitas vezes, somos levados a acreditar que somos completamente livres para tomar nossas decisões, mas será que isso é verdade? Em um mundo onde influências externas estão sempre presentes, as linhas que separam nossas escolhas pessoais e aquelas moldadas por fatores externos tornam-se cada vez mais tênues.
Em meu novo poema, "Livre-Arbítrio", exploro essa ideia de forma profunda e questionadora. Quantas de nossas decisões realmente vêm de nós, e quantas são fruto de influências externas? O que acontece quando nossa liberdade de escolha é guiada por forças além do nosso controle? A reflexão que me proponho aqui não oferece respostas definitivas, mas convida a todos a pensar: até que ponto somos realmente responsáveis pelas escolhas que fazemos?

terça-feira, novembro 12, 2024

Quinze anos, uma jornada

Quinze anos provados em desafios
Houve risos e celebrações
Teve lágrimas e decepções
Mas nosso laço é forte
À prova de divisões.

Somos namorados, sem idade ou limite
Teu amor me completa, doce e sincero
És meu abrigo, meu lar, o que sempre espero.
Nosso amor gerou frutos
E um deles chamamos de Emanuelly Helena
Paradoxo de bagunça e vida plena.


Cada instante ao teu lado é viver
Sou tão feliz sabendo que me amas
Seu amor me chama, coração em chamas.


A vida, com suas reviravoltas, nos ensina que o verdadeiro amor não é apenas feito de momentos felizes, mas também de superações e desafios. Neste poema, quero celebrar esses 15 anos ao lado de alguém que, mais do que uma parceira, se tornou meu abrigo.
Espero que as palavras deste poema toquem o coração de quem entende que, apesar das dificuldades, o amor verdadeiro se fortalece com o tempo.


Pedro Trajano
opoetatardio

sexta-feira, novembro 08, 2024

Sorriso Fácil

Na alma de uma criança
Mora o riso.
Um dia também fomos meninos
Mas muitos de nós
Esquecemos como é o badalar dos sinos.


Nestes versos, convido você a refletir sobre a simplicidade e a alegria que a infância nos proporcionou. O riso de uma criança é contagiante, um eco puro de felicidade que não precisa de motivos elaborados para existir. É uma lembrança de que a vida pode ser leve, mesmo nas pequenas coisas.

quarta-feira, novembro 06, 2024

Diálogo Sobre a Esperança

— Há, ainda, esperança?
— Sim! E por que não haveria?
— Tantas guerras, violência, corrupção, polarização...
— Mas você não acredita que exista alguma bondade no mundo?
— Existe! Mas parece tão escassa diante de tantas tragédias...
— Então, ainda existe esperança.
— Já não sei mais.
— Às vezes, ela se oculta no cotidiano.
— Será mesmo? Como posso descobri-la?
— Comece por deixar de tomar café com notícias ruins.
— Acha que isso realmente vai ajudar?
— Não resolverá todos os problemas, mas pode iluminar sua perspectiva.
— Não sei se é tão simples assim.
— Não é simples; é necessário.
— Mas isso é o suficiente?
— Talvez não sempre, mas é um passo significativo na direção certa.
— Você não tem uma receita pronta?
— Não. Certas estradas só se abrem ao toque dos pés do caminhante.


    Esse diálogo nos convida a refletir sobre a natureza da esperança e como ela pode ser redescoberta nas pequenas coisas do cotidiano. Através da escolha consciente de focar no que é positivo e na bondade que ainda existe ao nosso redor, podemos começar a trilhar um caminho de renovação.
O que você acha? Como você cultiva a esperança em sua vida? Compartilhe suas reflexões nos comentários!

Pedro Trajano
opoetatardio

 

segunda-feira, novembro 04, 2024

Juntos

Você um dia me perguntou:
— Até onde eu iria contigo?

— E o infinito tem fim?

Aqui estamos...



Pedro Trajano
opoetatardio


Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)