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segunda-feira, janeiro 20, 2025

O Círculo da Luz

Acordou dentro de um bosque sombrio. O ar denso e frio da noite lhe arrepiava os pelos do corpo. As mãos estavam muito frias, contrastando com o calor escaldante lhe percorria as veias. Descalça, cabelos soltos e revoltos, no corpo apenas uma longa camisola branca cuja barra que lhe chegava aos tornozelos parecia parcialmente queimada. Confusa e desnorteada Estela se perguntou em voz alta:
— Como cheguei aqui? Onde estou?
O lugar era uma visão estranha, inquietante e aterrorizante, tal qual um cenário mal construído para um filme de terror. 
O bosque se estendia como um labirinto esquecido, parado no tempo. As árvores eram gigantes pareciam estar ali a uma dezena de gerações. Com troncos marcados por rachaduras que pareciam ter sido esculpidas por garras afiadas e galhos retorcidos que formavam um teto desigual. Fragmentos de um luar frio e distorcido mal conseguiam penetrar e atingir o chão. Raízes grotescas e expostas estendiam se pelo solo, parecendo serpentes, entrelaçando-se com pedras gastas e trincadas que formavam caminhos aparentemente sem destino. Algumas pedras estavam cobertas de musgo, enquanto outras exibiam manchas escuras, parecidas com sangue seco, testemunhas de que algo de mau aconteceu ou continuava acontecendo ali.

Escolheria um milhão de vezes


Escolheria um milhão de vezes, ou mais
Para ver o sorriso ao chegar em casa
Sentir o calor dos braços que me abraçam
Onde os abraços são remédios que curam
E o amor traça trilhas que o tempo não ousa apagar.

Minha família, meu porto seguro, minha decisão
Por ela eu luto, dela não abro mão.


opoetatardio

sexta-feira, janeiro 17, 2025

O Melhor de Você


 

Ser autêntico é uma dádiva
Em um mundo de fotos e perfis tão falsos
Ter uma essência verdadeira
Como um farol que ilumina a noite inteira
Faz diferença para quem nos rodeia
Ser você mesmo em qualquer lugar
É o melhor que você pode mostrar.

Pedro Trajano
opoetatardio

terça-feira, janeiro 14, 2025

Justiça Sobre Bondade

 



Não busque ser apenas bom, mas correto
Na linha da vida, moderação é o trajeto
Bondade em excesso, um ímã de exploradores
Coração de porteira aberta atrai falsos amores
Prefira a justiça, firme e consciente
Um peso, uma medida, afasta o imprudente.


Pedro Trajano
opoetatardio

sexta-feira, janeiro 10, 2025

Solidão Conectada


 

Teclado à frente, telas brilhantes
Toco rostos distantes, gestos ausentes
O vento não sopra, o silêncio grita
A conexão é vasta, o amor se limita.

Palavras fluem, mas o peito é vazio
A magia da rede congela o frio
Somos um sopro na imensidão
Geração digital, sem aproximação.

E mesmo indecente, buscamos frequentemente
Um toque humano, carinho urgente
Mas na vastidão dessa rede inquieta
Somos sós, numa dança incompleta.


Pedro Trajano
opoetatardio

terça-feira, janeiro 07, 2025

O Peso da Ausência


Nosso amor parecia ser o certo,
Mas falhou o entendimento de sua essência.
As rosas, para desabrochar, exigem tempo,
E, no silêncio desse tempo, restaram apenas vestígios.
Fragmentaram-se os corações:
No meu, no seu e nos que, em fé, acreditaram,
Que éramos feitos um para o outro.

Faltou-nos proximidade, faltou-nos maturação.
Quem sabe fosse apenas amizade,
Ou, quem sabe, um amor verdadeiro.

Quem ousou afirmar, com segura convicção,
Que o destino nos uniria para sempre,
Jamais previu o peso da distância.

A desconexão, que arrefeceu os corações,
Afundou o belo em abismo profundo,
Transformou o mar da paixão em vasto deserto.

E assim, perdemos o que mais amávamos:
A nós mesmos, no outro.

opoetatardio

terça-feira, dezembro 31, 2024

Ciclos: Fim e Recomeço




No fim do ano, me desfaço e me reinvento
Chama viva que atravessa os dias árduos
Carrego memórias de dores e de paz
Em silêncio, reflito os erros que me frearam.

Fecho um ciclo, contemplo as lições
Entre risos e lágrimas, recrio paixões
Pois amar e viver são eternos caminhos
Teço esperanças com dedicação renovada.

Cada ciclo é dono de si, soberano
Onde o futuro já acena e me guia
Sonhos que renascem com o novo ano.


Pedro Trajano
opoetatardio

quinta-feira, dezembro 26, 2024

A Mesma Tempestade?





A mesma tempestade, realidades desiguais:
Uns observam, lá no alto, de apartamentos luxuosos
Mal sentem seus sinais, talvez nem os seus trovões
Acústica que pode isolar o ruído e suas percepções.

Há quem a enfrente em casas protegidas
Com muros altos, onde o conforto se faz lar
Onde o temporal, por ruas bem servidas
É só um barulho que vai passar.

Outros resistem em lares mais humildes
Pouco conforto, mas um teto ainda têm
Enfrentam a chuva, murmurando amém.

E há os que vivem em encostas sombrias
Onde a terra treme sob águas frias
Casebres frágeis, medo de desabar
Cada rajada ameaça tudo levar.

Sob pontes de concreto, vidas se abrigam
Enquanto as gotas em pranto se anunciam
Choram em silêncio diante do descaso
Invisíveis, esquecidos, lançados ao acaso.

Para alguns, a tempestade é suave canção
Pingos na janela, como versos a ninar.
Já para outros, é o grito de aflição
Onde até a chuva mansa pode afogar.


Pedro Trajano
opoetatardio

Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)