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terça-feira, fevereiro 04, 2025

Todos os Dias de uma Vida

Quando deste plano eu partir,
Não proclame aos quatro ventos
Que foi em tal dia que morri.
Brade, com a força dos pulmões,
Que foi até essa data que vivi.

Que em tuas lágrimas haja saudade,
Mas também transborde alegria,
Pois em cada passo da minha jornada
Houve vida, houve poesia—
E só em um dia eu parti.

Chorei, caí, também adoeci,
Conheci a dor e a falta de amor.
Traí e fui traído, sendo humano, sofri,
Mas escolhi seguir, decidi e vivi.

Não lamente os dias findos,
Nem os caminhos que não trilhei,
Pois, na estrada que percorri,
Cada instante, eu bem vivi.

Conte os contos que contei,
As amizades que não abandonei,
Fale da minha família que amei,
Recite os versos que propaguei.

Se quiser lembrar-me, sorria,
Brinde à vida, do sertão ao mar,
Pois, se um dia fui embora daqui,
Em todos os outros, estive aqui.

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Existência


Carrego o peso da minha existência,
como uma vida inerte, deixada nas trevas do porão,
cercado por armadilhas que se fecham
sem que os olhos alcancem o sol.
Já não recordo o primeiro dia
que deu início ao resto da minha vida,
onde, amando, sou esquecido,
um fardo que se impõe aos ombros até o chão.

Entre passos apressados e sem rumo,
me vejo desintegrar nas sombras da solidão,
como um solo árido diante do dilúvio,
o vazio, algo que posso tocar,
um buraco que cresce, mas uma voz me chama,
uma ausência que me consome.

Já não sei de onde venho,
mas reconheço o caminho à minha frente.
Viver é esquecer e recordar,
um ciclo sem fim, onde cada passo se apaga,
onde a certidão de nascimento
não revela o peso das décadas que me forjaram.

E sigo, em silêncio,
buscando um fragmento de sentido
no que fui,
para, quem sabe, encontrar no que sou
um pedaço de resposta.
Enquanto o mundo, indiferente, passa,
sinto-me como uma geração esquecida,
como se o tempo tivesse me abandonado.

Mas, entre o vazio e o nada,
há uma voz persistente que me chama de volta:
Você ainda está aqui.
E talvez, em algum lugar, isso seja o princípio do que está por vir.


opoetatardio

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O Voo e a Chuva

 



Pingos de chuva vêm se aproximando
Ainda não me alcançaram
Espero que cheguem a mim
Meus olhos buscam o horizonte.

No alto, um pássaro corta o céu
Sobre sua cabeça, nuvens densas
Ele voa apressado, quase desesperado
Precisa chegar a tempo em algum lugar.

Pego o celular, aponto a câmera
Mas desisto
A cena é tão pura, tão cheia de detalhes
Máquinas artificiais não poderiam eternizar lá
A intensidade do instante
A beleza que só a retina humana pode capturá-la.

Fico só a olhar
Contemplar
A ave, cada vez menor
A chuva chega
Tocando o meu rosto
Sinto-me um rei, sem prepotência
Eu, tão encantado com a natureza
Rendo-me, em reverência.


opoetatardio

sexta-feira, janeiro 31, 2025

A Essência da Fé



Na alma ressoa uma inspiração do alto
Fé e essência se entrelaçam na existência
Versos e crenças se elevam como cânticos
Transformam o ser na razão própria de ser
Onde, na sabedoria divina, o eterno é viver.

opoetatardio

quinta-feira, janeiro 30, 2025

O Pequeno Caos do Dia a Dia


Os últimos raios de sol sucumbiam lentamente às densas nuvens carregadas que se acumulavam no horizonte. O céu, antes vibrante e azul, transformava-se em um mosaico de tons acinzentados, enquanto o calor abafado anunciava a chegada iminente de uma tempestade. Na frente da casa, um grande ipê estendia sua copa robusta, e seus galhos, inquietos sob as rajadas de vento, balançavam as folhas escuras, espalhando um cheiro de terra seca prestes a ser molhada. No quintal, o pé de mamão, carregado de frutos ainda verdes, fazia companhia a alguns pés de couve. Borboletas, após depositarem seus ovos nas folhas verde-escuras, alçavam voo em busca de abrigo, enquanto pássaros apressavam-se para se proteger da chuva que se avizinhava.
— Elas não resistirão la fora se começar a chover! — exclamou Cláudia, levantando-se bruscamente do sofá e desligando a TV. Seu cabelo desalinhado e os óculos ligeiramente tortos denunciavam que ela estava completamente absorvida na trama de 'Quando o Telefone Toca', uma série coreana que acompanhava fielmente nos últimos dias de suas férias escolares.

terça-feira, janeiro 28, 2025

O Silêncio Grita


 

O silêncio grita, mas ninguém o escuta
Há fones nos ouvidos, silêncio camuflado
Notas artificiais, como uma força aguda
O belo canto do vento, fator silenciado

Óculos virtuais projetam ilusões
Escondem do olhar a beleza real
O céu se pinta, mas quem o admira?
Perdidos no falso, um erro de mira.

A cara inclinada, na tela pequena
E o mundo imenso, a clamar atenção
O silêncio implora, quer ser ouvido,
Quer ser ouvido... e a alma dispersa recusa o pedido.


opoetatardio

* Direitos autorais Reservados

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sexta-feira, janeiro 24, 2025

Uma Questão de Escolha



Do mal, erguem muralhas, cinzentas memórias
Do bem, sussurros quase perdidos na história
O que é sombrio grava-se com intensidade
Notícia ruim corre com feroz velocidade
A bondade é semente, floresce lentamente
Escolhê-la é repouso que leva à glória.

opoetatardio

segunda-feira, janeiro 20, 2025

O Círculo da Luz

Acordou dentro de um bosque sombrio. O ar denso e frio da noite lhe arrepiava os pelos do corpo. As mãos estavam muito frias, contrastando com o calor escaldante lhe percorria as veias. Descalça, cabelos soltos e revoltos, no corpo apenas uma longa camisola branca cuja barra que lhe chegava aos tornozelos parecia parcialmente queimada. Confusa e desnorteada Estela se perguntou em voz alta:
— Como cheguei aqui? Onde estou?
O lugar era uma visão estranha, inquietante e aterrorizante, tal qual um cenário mal construído para um filme de terror. 
O bosque se estendia como um labirinto esquecido, parado no tempo. As árvores eram gigantes pareciam estar ali a uma dezena de gerações. Com troncos marcados por rachaduras que pareciam ter sido esculpidas por garras afiadas e galhos retorcidos que formavam um teto desigual. Fragmentos de um luar frio e distorcido mal conseguiam penetrar e atingir o chão. Raízes grotescas e expostas estendiam se pelo solo, parecendo serpentes, entrelaçando-se com pedras gastas e trincadas que formavam caminhos aparentemente sem destino. Algumas pedras estavam cobertas de musgo, enquanto outras exibiam manchas escuras, parecidas com sangue seco, testemunhas de que algo de mau aconteceu ou continuava acontecendo ali.
Eu sou mais eu. Mas o meu eu tem empatia pelo seu eu. (Pedro Trajano)